domingo, 6 de abril de 2008

Portugal en el nuevo Estatuto de Extremadura

Ya se conoce el texto del borrador de nuevo Estatuto de Autonomía de Extremadura, en el que hay un capítulo dedicado a la cooperación con Portugal e incluso un punto que nos afecta.


Cooperación con Portugal
La Comunidad Autónoma fomentará la cooperación transfronteriza, la creación de organismos y servicios de interés común y el desarrollo de acciones y programas compartidos y participará en las instituciones hispano-portuguesas en las que se formulen o desarrollen políticas relativas a las competencias asumidas.

Son instrumentos de la colaboración con Portugal, entre otros:
a) La creación de un órgano específico de la Comunidad Autónoma encargado de las relaciones con Portugal y sus entidades territoriales.
b) La difusión y promoción del portugués en Extremadura y la difusión y promoción del español, mediante los correspondientes acuerdos, en las regiones portuguesas.
c) La celebración de los acuerdos que correspondan con el gobierno o con las entidades territoriales de la República portuguesa de acuerdo con la ley.
d) La participación de la Junta de Extremadura en las reuniones gubernamentales hispano-portuguesas de carácter periódico.

As árvores se descabelam?

Numa Agenda Arte curitibana de 2001 lemos:

... E João Gilberto, observando o vento bater na copa das árvores, disse à sua psicanalista:

-Veja como as árvores se descabelam!
-João, árvore não tem cabelo.
-E você não tem poesia.

Para poesia, a de Vinícius de Moraes, a de António Carlos Jobim, a de João Gilberto cantando, por exemplo, "Chega de saudade": Vai, minha tristeza, / e diz a ela...


sexta-feira, 4 de abril de 2008

Aprender português num “Portugal Pequenito”!


E assim foi que, no passado dia 2 de Abril, logo depois do “dia das mentiras”, o instituto “extremeño” Loustau-Valverde de Valencia de Alcántara visitou a Escola Secundária Infanta D. Maria em Coimbra.

A excursão, derivada de um projecto de intercâmbio entre as duas instituições, serviu para aproximar os estudantes dos dois países e, acima de tudo, promover e divulgar o idioma português que cada vez apresenta mais estudantes nesta região espanhola fronteiriça com o Alentejo e, também, mostrar como funciona o sistema educativo português.

Para além de todas as motivações pedagógicas, esta actividade promovida por o departamento de língua portuguesa desse instituto da Extremadura e pelo GIT (“Gabinete de Iniciativas Transfronterizas”), contou com bastante animação e interesse por parte dos alunos intervenientes, com especial destaque para as visitas à Universidade de Coimbra e ao parque temático “Portugal dos Pequenitos”, onde puderam ver um Portugal e uma lusofonia à escala!

Espera-se agora uma visita lusa ao instituto raiano onde poderão desfrutar do melhor desta região e também algo do norte Alentejo que é o principal motor de interesse pelo idioma de Camões por parte destes alunos motivados!

Carpool - Poupe dinheiro e poupe o ambiente

Carpool - Poupe dinheiro e o ambiente partilhando um meio de transporte.

Lembra-se do De Boleia? Pois bem, o Carpool é como um primo mais sofisticado que faz uso de Google Maps para melhor ilustrar os conteúdos e facilitar as acções do utilizador.

Para os que não estão recordados do conceito do De Boleia fica, numa versão curta, que: consiste num site que lista todas as ofertas e pedidos de boleia (leia-se partilha de transporte). Se, por exemplo, vai regularmente do Porto a Lisboa à 5ª feira porque não partilhar o transporte com alguém que esteja disposto a partilhar também as despesas? Se sabe de alguém vai para os seus lados porque não oferecer-se para partilhar a viagem?

Foi a pensar no seu bolso mas acima de tudo no meio ambiente que projectos como o Carpool surgiram.

O processo de utilização do Carpool é simples mas obedece a algumas particularidades e formalidades que tornam os conteúdos menos susceptíveis de spam ou falsificação. Para começar e de forma a poder aceder a algo mais do que um mapas com linhas de cor, terá que efectuar o seu registo de utilizador. Tal, após a activação da sua conta, dá-lhe o direito de aceder a um painel de controlo a partir do qual poderá editar o seu perfil, definir o(s) seu(s) trajecto(s) e fazer uso de uma interessante calculadora financeira e ambiental que lhe devolve valores de poupança que resultam do carpooling.

O Carpool foi desenvolvido pelo Paulo Gingão (que deve também conhecer do Formactiva), pelo Roberto Carvalho e pela Selma Fernandes, também envolvida no Formactiva.

Para ficar a conhecer melhor o Carpool nada melhor do visitar a página de “Perguntas Frequentes” ou a página de “Ajuda“. Os autores prepararam excelentes textos de apresentação e esclarecimento que deve consultar.

O Carpool está também listado no Web 2.0 Portugal.
Boas poupanças.

In 2.o Webmania

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Antes de começar, de Almada Negreiros


Agora é mais fácil montar uma obra de teatro com os alunos, mesmo sem ser profissional. Com as aplicações da Web 2.0 podemos fazer coisas como esta:

Encontrar num podcast como Era uma vez o audio



Read this doc on Scribd: ALMADA NEGREIROS, Antes de Começar


E ainda encontrar estudos críticos como este: José Almada Negreiros.

Florbela Espanca - Podcast



Na voz de Eduarda Costa
Estou hoje num dos meus dias cinzentos, como diz nosso escritor; dia em que tudo é baço e pesado como a cinza, dia em que tudo tem a cor uniforme e nevoente dele, desse cinza em que eu às vezes sinto afundar o meu destino. Estou triste e vagamente parva, hoje, e no entanto, estou na capital do Alentejo; aos meus ouvidos chega o ruído dos automóveis, o barulho cadenciado das patas dos cavalos de luxo, o pregão forte e sensual que é toda a alma de mulher do povo, e por cima disto tudo, a espalhar vida, luz, harmonia, sinto o sol, um sol de fogo, o sol do meu Alentejo sensual e forte como um árabe de vinte anos! Pois tudo me irrita! Que direito tem o sol para se rir hoje tanto? Donde vem o brilho que Deus pôs, como um dom do céu, nos olhos das costureirinhas que passam? Donde vem a névoa de mágoa que eu trago sempre nos meus?!

Vê?... É o dia pesado, o dia em que eu sou infinitamente impertinente e má como uma velhota de oitenta anos. Eu odeio os felizes, sabes? Odeio-os do fundo da minha alma, tenho por eles o desprezo e o horror que se tem por um reptil que dorme sossegadamente. Eu não sou feliz mas nem ao menos sei dizer porquê. Nasci num berço de rendas rodeada de afectos, cresci despreocupada e feliz, rindo de tudo, contente da vida que não conhecia, e de repente, amiga, ao alvorecer dos meus 16 anos, compreendi muita coisa que até ali não tinha compreendido e parece-me que desde esse instante cá dentro se fez noite. Fizeram-se ruínas todas as minhas ilusões, e, como todos os corações verdadeiramente sinceros e meigos, despedaçou-se o meu para sempre. Podiam hoje sentar-me num trono, canonizar-me, dar-me tudo quanto na vida representa para todos a felicidade, que eu não me sentiria mais feliz do que sou hoje. Falta-me \n o meu castelo cheio de sol entrelaçado de madressilvas em flor; falta-me tudo o que eu tinha dantes e que eu nem sei dizer-te o que era... É a história da minha tristeza. História banal como quase toda a história dos tristes.

Fizeram-se ruínas todas as minhas ilusões, e, como todos os corações verdadeiramente sinceros e meigos, despedaçou-se o meu para sempre. Podiam hoje sentar-me num trono, canonizar-me, dar-me tudo quanto na vida representa para todos a felicidade, que eu não me sentiria mais feliz do que sou hoje. Falta-me o meu castelo cheio de sol entrelaçado de madressilvas em flor; falta-me tudo o que eu tinha dantes e que eu nem sei dizer-te o que era... É a história da minha tristeza. História banal como quase toda a história dos tristes.


ANTOLOGÍA DE POEMAS (Recital)



terça-feira, 1 de abril de 2008

"Clube de Leitura Portuguesa” até Maio na Biblioteca Pública de Cáceres

A Biblioteca Pública de Cáceres está a organizar desde Fevereiro e até Maio um “Clube de Leitura Portuguesa” todas as terças-feiras ao final da tarde para fomentar o conhecimento do idioma português na capital da vizinha Extremadura.Para além de promover uma aproximação à leitura da língua portuguesa a intenção desta iniciativa – coordenada por Sandra Celia Hurtado Cardoso - é também a de dar a conhecer a cultura e a história de Portugal na Extremadura.Estas jornadas são gratuitas e têm lugar na Biblioteca Pública "Antonio Rodríguez Moñino/María Brey" sendo dirigidas a jovens com mais de 18 anos e com um nível de conhecimento médio ou médio alto da língua portuguesa, que lhes permita ler e praticar o idioma. Para aceder a estas jornadas apenas é necessário que os participantes possuam cartão de leitor/a da biblioteca. As sessões quinzenais são práticas e participativas e a biblioteca proporciona gratuitamente os livros escolhidos para cada sessão e uma série de textos adicionais que permitam conhecer a história, a cultura e a forma de vida do nosso país. © NCV

Obter mais informação AQUI

segunda-feira, 31 de março de 2008

Curso interactivo de português

Que bom, encontrei um novo curso de português interactivo, no site de Linguasnet onde também há cursos de espanhol, rumeno e inglês:

Clic na imagem



cursoportugues.jpg

sábado, 29 de março de 2008

Mário Dionísio e as formas de tratamento


O seguinte excerto pertence a um livro de Mário Dionísio, O Meu Reino (Se o Tivesse) por Um Cavalo de Pau (Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1986).

Andei tantos anos lá por fora! Foram tantos, na verdade, que quase me esqueci de alguns usos e costumes da terra onde nasci, a minha pátria.


Com efeito! Os franceses governam-se com um tu e um vous, um Monsieur, um Madame, um Mademoiselle e já está. No dia-a-dia, digo eu. Os povos de língua inglesa (esses então!) resolvem tudo com um bendito you. Ou pouco mais. Até os espanhóis, tão dados ao saracoteio, além do tu, se ficam normalmente por um bom e expressivo usted, como um remate de frenéticas castanholas: chega bem. Só nós - pobres de nós!, ruminando ou escoicinhando, salvo seja, nesta terrinha esguia entre a Europa e o mar -, nos agarramos a uma ensarilhada gama de fórmulas obsoletas, ou que as­sim me parecem, no nosso convívio diário. Gama tão subtil e caprichosa que nem sempre nós pró­prios sabemos qual escolher. Será preciso dizer mais? Além do «tu», que é da ordem natural das coisas, há o «vós» (o solene e untuoso «vós»: pensastes, quiserdes, julgaríeis), já quase morto, o coitado, mas ainda estrebuchando com vigor, o «vocemecê» ou «vomecê», o agora universal «você», ainda não há muito recebido à patada: «Você é estrebaria!»


E o «Senhor», o «Senhora», o «Menina», o «Dona», o «Senhora Dona», o «Vossa Excelência» ou «Vocelência» ou «Vossência», o «Excelentíssimo Senhor », o «Excelentíssima Senhora». E, ainda, o «Excelentíssima Senhora Dona», o «Ilustríssimo Senhor», o «Vossa Senhoria». Estará a lista completa? O «Senhora», «Senhora Dona» ou só «Dona» já me puseram, e por mais de uma vez, em situações embaraçosas. Que sempre corrigi a tempo por uma espécie de intuição que só posso atribuir a profundas ligações de consaguinidade. A vendedeira de hortaliça do mercado onde cá em casa se abastecem normalmente é a senhora Josefa. Claro. Não a D. Josefa. E nunca por nunca ser senhora D. Josefa. A proprietária da lojeca onde compro os jornais e os cigarros, já não poderei eu tratá-la por senhora Margarida (incorrecção das grandes), mas por D. Margarida, prova de distinção, ainda que modesta. Um est modus in rebus. Longe, portanto, de senhora Margarida, mas também de se­nhora D. Margarida, tratamento a que ela não tem de aspirar. E a sua vizinha do lado, esposa dum funcionário das Finanças ou lá que é, só legitima­mente pode ser senhora D. Catarina. Não trabalha. Só D. Catarina implicaria excessiva ou menor consideração. E senhora Catarina, nem brincando. Isso era grosseria de se levar com a porta na cara.


Toda a gente me diz que nos últimos anos (de algo terá servido o 25 de Abril) está em curso uma certa evolução. Muito lenta, claro está. Nisto, como em tudo, um sonolento arrastar de caracol. [ ... ]


E o «doutor», meu Deus! Esse banal e tão por­tuguês «senhor doutor»? Essa leitura da abrevia­tura por contracção («dr.») do grau de licenciado, que meio país continua a cobiçar? Quem não quer ser «doutor», ainda que só «dr.» - vantagens do código oral sobre o código escrito? Quem não fará tudo para isso, os pais empenhando o que têm e não têm, os filhos estudando, claro, ou inventando mil processos de irem fa­zendo cadeiras e mais cadeiras, até obterem o sagrado diploma que da jus ao desejado tratamento? Porque —isto me espanta mais que tudo—, no país de que estive ausente tanto tempo mas é o meu país (a gente pode andar lá por fora a vida inteira mas não quer outra pátria), tal título continua a proporcionar benesses que o simples “senhor” nunca deu nem dará. A pesar —é notável!— da abundância já inflaionária daqueles que o usam. Facilita coisas, abre portas, encurta ou alarga prazos. [...]


quinta-feira, 27 de março de 2008

Valter Hugo Mãe en Cáceres


El poeta Luso Valter Hugo Mãe interviene hoy jueves 27 de marzo en el AULA VALVERDE. Organizado por la Asociación de Escritores Extremeños y con el patrocinio del Gabinete de Iniciativas Transfronterizas.


Este libro es un tsunami, no en el sentido destructivo sino en el de su fuerza", ha escrito José Saramago de El arrepentimiento de Baltasar Serapio , la novela que ganó el pasado año el premio que lleva el nombre del Nobel portugués. Su autor, Valter Hugo Mãe, participa hoy en el Aula José María Valverde de Cáceres (Palacio de la Isla, a las 20.15 horas).


Nacido en Angola en 1971, es licenciado en Derecho y Posgraduado en Literatura Portuguesa Moderna y Contemporánea. Ha publicado varios libros de poemas, como Libro de maldiciones , Pornografía erudita y Bruno , este último publicado en el sello extremeño Littera Libros, de Villanueva de la Serena, y la novela Nuestro reino .
La profesora del área de portugués de la Universidad de Extremadura, Mª Jesús Fernández García, intervendrá dentro del ciclo de conferencias DIALOGOS IBERICOS de Aula HOY el próximo lunes 31 de marzo en Cáceres (C⁄ Clavellinas) y el martes 1 de abril en Badajoz (Hotel Zurbarán).

Dirigida a un público amplio, la conferencia lleva por título "De Fernando Pessoa a José Saramago. La literatura portuguesa del siglo XX" y en ella se hará un recorrido por los principales autores y movimientos de la literatura del país vecino en el siglo pasado.

Ambas conferencias darán comienzo a las 20"15 horas.

terça-feira, 25 de março de 2008

segunda-feira, 24 de março de 2008

"Nascido em Portugal, de pais portugueses, / e pai de brasileiros no Brasil..."



EM CRETA COM O MINOTAURO

I

Nascido em Portugal, de pais portugueses,
e pai de brasileiros no Brasil,
serei talvez norte-americano quando lá estiver.
Coleccionarei nacionalidades como camisas se despem,
se usam e se deitam fora, com todo o respeto
necessário à roupa que se veste e que prestou serviço.
Eu sou eu mesmo a minha pátria. A pátria
de que escrevo é a língua em que por acaso de gerações
nasci. E a do que faço e de que vivo é esta
raiva que tenho de pouca humanidade neste mundo
quando não acredito em outro, e só outro quereria que
este mesmo fosse. Mas, se um dia me esquecer de tudo,
espero envelhecer
tomando café em Creta
com o Minotauro,
sob o olhar de deuses sem vergonha.


II

O Minotauro compreender-me-á.
Tem cornos, como os sábios e os inimigos da vida.
É metade boi e metade homem, como todos os homens.
Violava e devorava virgens, como todas as bestas.
Filho de Pasifaë, foi irmão de um verso de Racine,
que Valery, o cretino, achava um dos mais belos da «langue».
Irmão também de Ariadne, embrulharam-no num novelo de que se lixou.
Teseu, o herói, e, como todos os gregos heróicos, um filho da puta,
riu-lhe no foucinho respeitável.
O Minotauro compreender-me-á, tomará café comigo, enquanto
sol serenamente desce sobre o mar, e as sombras,
cheias de ninfas e de efebos desempregados,
se cerrarão dulcíssimas nas chávenas,
como o açúcar que mexeremos com o dedo sujo
de investigar as origens da vida.


III

É aí que eu quero reencontrar-me de ter deixado
a vida pelo mundo em pedaços repartida, como dizia
aquele pobre diabo que o Minotauro não leu, porque,
como toda a gente, não sabe português.
Também eu não sei grego, segundo as mais seguras informações.
Conversaremos em volapuque, já
que nenhum de nós o sabe. O Minotauro
não falava grego, não era grego, viveu antes da Grécia,
de toda esta merda douta que nos cobre há séculos,
cagada pelos nossos escravos, ou por nós quando somos
os escravos de outros. Ao café,
diremos um ao outro as nossas mágoas.


IV

Com pátrias nos compram e nos vendem, à falta
de pátrias que se vendam suficientemente caras para haver vergonha
de não pertenecer a elas. Nem eu, nem o Minotauro,
teremos nenhuma pátria. Apenas o café,
aromático e bem forte, não da Arábia ou do Brasil,
da Fedecam, ou de Angola, ou parte alguma. Mas café
contudo e que eu, com filial ternura,
verei escorrer-lhe do queixo de boi
até aos joelhos de homem que não sabe
de quem herdou, se do pai, se da mãe,
os cornos retorcidos que lhe ornam a
nobre fronte anterior a Atenas, e quem sabe,
à Palestina, e outros lugares turísticos
imensamente patrióticos.


V

Em Creta, com o Minotauro,
sem versos e sem vida,
sem pátrias e sem espírito,
sem nada, nem ninguém,
que não o dedo sujo,
hei-de tomar em paz o meu café.


Jorge de Sena, Peregrinatio ad loca infecta (1969)

quarta-feira, 19 de março de 2008

Atenção!!! O novo acordo ortográfico! O que vai mudar na grafia do português!


Não entrem em “stress” amigos e amantes do idioma luso! O “Novo Acordo Ortográfico” apenas afeta (reparem que já estou de acordo com o acordo, grande redundância!) a grafia da escrita e não interfere de modo nenhum nem nas diferenças orais, nem nas variações gramaticais ou lexicais.

Já podemos encontrar dicionários no mercado segundo esta nova norma, no entanto recomendo um documento sucinto mas eficaz redigido por João Malaca Casteleiro e Pedro Dinis Correia, editado pela “Texto”.

A partir de agora não vai haver tantas diferenças entre a variante europeia, brasileira e africana. Se é uma medida positiva, ainda não posso opinar, mas como diz Camões, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”…

domingo, 9 de março de 2008

Brasil 'cumple' dos siglos

Poco antes de las 12 del mediodía de ayer el presidente Luiz Inácio Lula da Silva llegó al Gabinete Real de Lectura, una magnífica edificación de casi dos siglos de vida en pleno centro de Río. Fue recibido por su colega portugués, Aníbal Cavaco Silva, bajo un sol inclemente. Una banda militar ejecutó los himnos nacionales de los dos países, hubo breves y protocolares discursos de Lula da Silva y del mandatario portugués, y en seguida empezó el almuerzo ofrecido por Cavaco Silva. Fue el cierre de la agenda de los dos presidentes, en el marco de las conmemoraciones de los 200 años de la llegada de la familia real portuguesa a Río de Janeiro el 8 de marzo de 1808, tras una estancia de 45 días en Salvador de Bahia.

Cavaco Silva llegó a Río el jueves y cumplió una agenda de actos relacionados con el bicentenario de la transformación de Brasil, entonces colonia portuguesa, en el único reino europeo instalado en los trópicos. Entre 1808 y 1822, el país fue sede de la corona portuguesa, sin dejar de ser colonia. El traslado de la Corte lusa a Brasil significó una serie de profundos cambios que terminaron por servir como cuna para la construcción del país.

Con Juan VI llegaron la imprenta y los libros, la botánica y la ciencia, el teatro y la arquitectura refinada, los conciertos de cámara y el primer museo. Feo, miedoso, depresivo, el monarca portugués creó la Casa de la Moneda, el Banco do Brasil, la Biblioteca (exactamente el Gabinete Real visitado ayer por Lula da Silva), el Jardín Botánico y toda la estructura administrativa del poder. Tan pronto llegó a Salvador, el 22 de enero de 1808, el rey declaró la apertura de los puertos brasileños a "todas las naciones amigas". Hasta entonces, Brasil no podía comerciar con ningún otro país, y exportaba únicamente para Portugal. La apertura de los puertos es considerada como una de las medidas más importantes para el inicio del progreso del país, el comienzo de un nuevo tiempo.

La llegada de la corte determinó una nueva transformación. De la noche al día, los 15.000 integrantes de la misma cambiaron usos y costumbres locales, y con ellos surgió una nueva cultura y fueron sentadas las bases de la economía que rápidamente transformaron la colonia en un país mucho más rico que la metrópoli.

Todo eso se recuerda ahora con una amplia agenda de exposiciones, seminarios, conmemoraciones y festividades populares por todo el país, pero principalmente en Rio, que por 152 años -entre 1808 y hasta la inauguración de Brasilia, en 1960- fue la capital brasileña. Cavaco Silva, quien fue primer ministro de Portugal (1985-1995), defiende ahora que se profundice la cooperación bilateral.


Artículo completo de Eric Nepomuceno en El País

Mais na RTP Notícias

sábado, 8 de março de 2008

Jorge Mateus de Lima e a negra Fulô

Fotografia de Willy Miel


Jorge Mateus de Lima (União dos Palmares AL 1893 - Rio de Janeiro RJ 1953). Poeta, romancista, pintor e tradutor. Em 1902 muda-se com a mãe e os irmãos para Maceió, Alagoas. Transfere-se para Salvador, em 1909, e ingressa na Faculdade de Medicina. No terceiro ano do curso, vai morar no Rio de Janeiro, e se forma em 1914, ano em que publica seu primeiro livro, XIV Alexandrinos. Volta para Maceió em 1915 e até 1931 dedica-se igualmente à medicina, atendendo em consultório próprio, e à literatura - nesse período publica quase dez livros, sendo cinco de poesia - além de envolver-se com a política local, exercendo o cargo de deputado estadual de 1918 a 1922. A Revolução de 1930 dá início a um período de insegurança e perseguição política que o leva a radicar-se definitivamente no Rio de Janeiro, onde tem os primeiros contatos com escritores e artistas. Seu consultório médico torna-se também ateliê de pintura e ponto de encontro de intelectuais. Entre 1937 e 1945, sua candidatura à Academia Brasileira de Letras - ABL é recusada quatro vezes. Em 1939 inicia-se nas artes plásticas e participa de algumas exposições. Publica seu livro mais importante, o épico Invenção de Orfeu, em 1952. No ano seguinte, meses antes de morrer, grava poemas para o Arquivo da Palavra Falada da Biblioteca do Congresso de Washington, nos Estados Unidos. Sua obra, de inspiração e influência católicas, apresenta também contatos com o imaginário surrealista.


ESSA NEGRA FULÔ

Ora, se deu que chegou
(isso já faz muito tempo)
no bangué dum meu avô
uma negra bonitinha
chamada a negra Fulô.

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá)
– vai forrar a minha cama,
pentear os meus cabelos,
vem ajudar a tirar
a minha roupa, Fulô!

Essa negra Fulô!

Essa negrinha Fulô
ficou logo pra mucama,
pra vigiar a Sinhá
pra engomar pro Sinhô.

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá)
vem me ajudar, ó Fulô,
vem abanar o meu corpo
que eu estou suada, Fulô!
Vem coçar minha coceira,
vem me catar cafuné,
vem balançar a minha rede,
vem me contar uma história,
que eu estou com sono, Fulô!

Essa negra Fulô!

«Era um dia uma princesa
que vivia num castelo
que possuía um vestido
com os peixinhos do mar.
Entrou na perna dum pato
saiu na perna dum pinto
o Rei-Sinhô me mandou
que vos contasse mais cinco.»

Essa negra Fulô!

Essa negra Fulô!
Ó Fulô! Ó Fulô!
Vai botar para dormir
esses meninos, Fulô!
«Minha mãe me penteou
minha madrasta me enterrou
pelos figos da figueira
que o Sabiá beliscou.»

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô? Ó Fulô?
(Era a fala da Sinhá
chamando a negra Fulô.)
Cadê meu frasco de cheiro
que teu Sinhô me mandou?
– Ah! foi você que roubou!
– Ah! foi você que roubou!

O Sinhô foi ver a negra
levar couro do feitor.
A negra tirou a roupa.
O Sinhô disse: Fulô!
(A vista se escureceu
que nem a negra Fulô.)

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô? Ó Fulô?
Cadê meu lenço de rendas
cadê meu cinto, meu broche,
cadê meu terço de ouro
que teu Sinhô me mandou?
– Ah! foi você que roubou!
– Ah! foi você que roubou!

O Sinhô foi açoitar
sozinho essa negra Fulô.
A negra tirou a saia
e tirou o cabeção,
de dentro dele pulou
nuinha a negra Fulô.

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô? Ó Fulô?
Cadê, cadê teu Sinhô
que nosso Senhor me mandou?
Ah! foi você que roubou,
foi você, negra Fulô?

Essa negra Fulô!


(Biografia retirada de http://www.itaucultural.org.br/)

domingo, 2 de março de 2008

El paso 16 de la Raya es un azud en Zarza

Fafa. Es decir, María Fátima, saca unos vasos y nos sirve un oporto exquisito. «Es de mi familia. Mi abuela materna es la propietaria de las bodegas Ramos Pinto». Hemos llegado a Salvaterra do Extremo a la hora de comer, pero es imposible comer. En la churrasquería de Elías, la señora parece asustada. «No, no puedo encender la parrilla para prepararles un poco de pollo o de bacalao». Como insistimos: «Un pedazo de queso, algo de embutido», la señora se esconde en el lavabo.

Es extraño este pueblo. La mañana de niebla colabora en la extrañeza. En la plaza, media docena de personas aguardan algo. «Esperamos un cadáver», informan añadiendo inquietud a la escena. Resulta que hoy llegan de Lisboa los restos de Francisco Serra, benefactor de Salvaterra. «Tenía contactos en Lisboa y consiguió la carretera que lleva a la frontera. Se acabó hace ocho años», informa Fafa. Después se apiada del hambriento y nos invita a conocer su casa y a tomar un plato de sopa.

Estamos en Salvaterra do Extremo, un pueblecito portugués fronterizo que desde el año pasado está unido a España por un puente que oficialmente no existe y cruza el río Erjas para llegar al pueblo cacereño de Zarza la Mayor. Visitamos una de las zonas menos pobladas de la Península Ibérica. Comparemos: la comarca menos habitada de España está en Soria: 9 habitantes por kilómetro cuadrado, los mismos que tiene el municipio de Zarza la Mayor. Lo de Salvaterra es más espectacular: dos habitantes y medio por cada kilómetro cuadrado.

Para llegar a este pueblo neblinoso, misterioso y bello, donde la gente espera cadáveres en la plaza, hemos circulado por una carretera no indicada y hemos cruzado un puente que no existe. Es la Raya hispano-lusa, la frontera más pobre y fascinante de la vieja Unión Europea, un espacio que están descubriendo los medios de comunicación germánicos, los mismos que quedaron prendados de Canarias, Mallorca o Finisterre. Este mes de marzo, la radio televisión pública de Suiza dedica programas semanales de una hora ('Le dromedaire') a la Raya extremeña.


Leer el reportaje completo de J. R. Alfonso de la Torre en Hoy




segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Lobo Antunes, prémio José Donoso

O Prémio José Donoso é um dos mais prestigiados no panorama literário Ibero-Americano, atribuído pela Universidade de Talca, do Chile. A cerimónia de entrega decorreu na sexta-feira 22 de Fevereiro no Instituto Cervantes, em Lisboa, pelas 18h00.

O Prémio José Donoso é outorgado anualmente, desde 2001, à obra de um destacado escritor ibero-americano, de acordo com um júri internacional, constituído por cinco personalidades distintas do mundo literário e académico ibero-americano.

António Lobo Antunes é o primeiro escritor ibérico a receber este Prémio, que lhe foi atribuído em 2006, mas que só agora lhe será entregue.

O júri elogiou a grande variedade de temas, linguagens e estruturas na obra do consagrado escritor, bem como o amor ao seu país de origem e o talento para captar “o papel das culturas periféricas no mundo”.

Coordenado por Javier Pinedo (Universidade de Talca, Chile) fizeram ainda parte do júri Alfonso García Morales (Universidade de Sevilha, Espanha), Thomas Bremer (Universdade de Halle, Alemanha), Francisco Javier Lasarte (Universidade Simón Bolívar, Venezuela), Guilhermo Maraica (Universidade Mayor de San Andrés, Bolívia) e Jaime Concha (Universidade de San Diego, EUA).

Nas edições anteriores, o Prémio José Donoso foi entregue a José Emilio Pacheco (mexicano, 2001), Beatriz Sarlo (argentina, 2002), Isabel Allende (chilena, 2003), António Cisneros (peruano, 2004), Ricardo Piglia (argentino, 2005) e Miguel Barnet (cubano, 2007).



António Lobo Antunes congratulou-se com o facto de ser o primeiro escritor europeu a receber o Prémio José Donoso, um dos mais prestigiados do panorama literário Ibero-Americano, atribuído pela Universidade de Talca, no Chile.

«Para mim, um prémio com o nome de um escritor latino-americano - que tão importantes foram para os escritores da minha geração e tão importantes continuam a ser para todos os escritores - é uma honra», disse o romancista, na cerimónia de entrega do galardão que o distinguiu em 2006, realizada no Instituto Cervantes, em Lisboa".

Composto por uma medalha, um diploma e um cheque de 20 mil dólares, o prémio José Donoso foi entregue ao fim da tarde a Lobo Antunes pelo reitor da Universidade de Talca, Juan Antonio Rock, numa sessão que contou igualmente com a participação do presidente do júri, Javier Pinedo, da mesma universidade, e de António Vieira Monteiro, do Banco Santander.

Às vezes - observou o escritor - «digo a mim mesmo que um prémio nada tem que ver com a literatura, no sentido em que não a torna nem melhor, nem pior do que era, o que não é literalmente verdade».

«Recebi muitos prémios - por vezes, penso que sou um cavalo, que ganha prémios - mas poucos me deram tanto prazer como este (...) porque me é dado por irmãos meus, por gente que sente da mesma maneira, que fala da mesma maneira e que é muito mais parecida connosco do que pensamos«, explicou.

Apesar de se considerar honrado por ser o primeiro escritor europeu a receber este galardão, António Lobo Antunes afirmou, no entanto, que não gosta muito da palavra »europeu«: »Porque não me sinto tão europeu assim«, comentou.

«Por exemplo: a Suécia, a Noruega e outros - o que é que tenho em comum com essas pessoas? Tenho muito mais em comum com a gente da Argentina, ou da Colômbia, ou do México», defendeu.

Segundo o romancista, os portugueses têm uma «vocação atlântica» e «um espírito universalista».

Para o ilustrar, citou, em seguida, um escritor português do século XVIII, Matias Aires.

«Escreveu uma frase muito simples que continua ainda a surpreender-me: 'Porque loucos não os há senão em língua portuguesa' e isto tocou-me sempre muito e fez-me pensar muitas vezes, porque o que eu tento fazer e o que nós, portugueses, tentamos fazer é continuar nas caravelas, continuar a navegar«, disse.

Lobo Antunes referiu que os mapas portugueses antigos, dos navegadores, »desenhavam a linha da costa e como não conheciam nada para o interior, escreviam 'aqui há leões' e, à medida que iam avançando terra adentro, o 'aqui há leões' ia-se afastando da linha da costa«.

«Eu penso - frisou - que o trabalho do escritor e o trabalho que eu quero para as pessoas do meu país, para o meu povo - porque tenho cada vez mais um imenso orgulho em ser português - é que os leões, o medo do desconhecido e o desconhecimento sejam cada vez mais ténues, cada vez mais imprecisos».

É isso que o autor acha que «tentamos com a escrita: mostrar os outros tal como são e mostrar-nos a nós mesmos como somos».

«As páginas de um bom livro são espelhos: cada um se olha a si mesmo e à sua pobre convicção«, observou.

Para terminar, António Lobo Antunes declarou que escreve para cumprir o que dizia Filipe II: »Façamos qualquer coisa que faça o mundo dizer de nós que fomos loucos«.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Janelas de Lisboa


No blogue Lisbon Windows podemos ver montes das variadas janelas de Lisboa. Cá em cima, uma janela da Rua de São Bento.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Rádio da UFPR na internet


Para quem gostar de ouvir música popular brasileira quando está à frente do computador, pode entrar na rádio da Universidade Federal do Paraná, Rádio UFPR, "a primeira rádio feita exclusivamente para a Internet no Estado do Paraná."

domingo, 17 de fevereiro de 2008

"Tropa de Elite" ganha Urso de Ouro na Berlinale




O filme "Tropa de Elite", de José Padilha, foi premiado ontem, sábado 16, no Festival de Berlim com o Urso de Ouro de melhor filme, durante a cerimônia de encerramento da 58ª edição da Berlinale. Há dez anos, "Central do Brasil", de Walter Salles, recebia o mesmo prêmio.

"Tropa de Elite" (2007) tem como tema o Batalhão de Operações Policias Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Foi objeto de grande repercussão antes mesmo de seu lançamento, por ter sido o primeiro filme brasileiro a, meses antes de chegar aos cinemas, vazar para o mercado pirata e a internet. Um dos protagonistas do filme, o ator Caio Junqueira, chegou a declarar que, por mais que achasse a pirataria algo negativo, sabia que havia sido "por causa dela que o trabalho atingiu o público da televisão". Uma pesquisa feita pelo Ibope chegou a estimar que mais de 11 milhões de brasileiros teriam visto o filme de forma ilegal - isso, entretanto, não impediu o filme de ter sido bem-sucedido nas bilheterias, tendo estreado em primeiro lugar e obtido uma das maiores médias por sala no ano, com mais de 1000 espectadores por sala na primeira semana, mesmo com um lançamento restrito aos estados de Rio de Janeiro e São Paulo.

Ao criticar duramente os usuários de substâncias ilícitas, atribuindo-lhes culpa pela expansão do tráfico de drogas e da violência, o filme gerou grande debate na mídia brasileira. As práticas de tortura por parte dos polícias também foram abordadas, gerando questionamentos acerca do fato dos personagens estarem sendo considerados heróis por suas atitudes frente os bandidos.

O enredo é o seguinte: Capitão Nascimento é o comandante de um esquadrão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), a tropa de elite da polícia do Rio de Janeiro quer deixar o posto, pois está prestes a ser pai e tem ataques freqüentes de síndrome do pânico, mas precisa antes encontrar um substituto à altura. Aos poucos, começa a enxergar como candidatos os aspirantes Neto e Matias, amigos de infância que dividem a mesma indignação com toda a corrupção que vêem na polícia convencional.



(Fontes: Folha Online e Wikipédia)

sábado, 9 de fevereiro de 2008

"Brasileiro naturalizado? Ah, não é português"


O poeta, ensaísta, ficcionista e dramaturgo Jorge de Sena (1919-1978) exilou-se no Brasil em 1959, receando as perseguições políticas resultantes de uma falhada tentativa de golpe de estado, a chamada "Conspiração da Sé", a 11 de Março desse ano, em que estava envolvido. A mudança para o Brasil permite-lhe uma reconversão profissional que vai ao encontro da sua vocação, dedicando-se ao ensino da literatura, acabando por se doutorar em Letras na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara (São Paulo), em 1964, obtendo também o diploma de Livre-Docência, para o que teve que naturalizar-se brasileiro (1963).

Um dos poemas que surgiu numa viagem que fez por vários países europeus foi este "O ecumenismo lusitano ou a dupla nacionalidade", em que ele, português naturalizado brasileiro, fala de uma dupla experiência a esse respeito acontecida na Alemanha.


O ECUMENISMO LUSITANO OU A DUPLA NACIONALIDADE

Pela porta lateral da catedral em Colónia
(construída –é vero– para os ossos dos Reis Magos)
eu saía para o branco sol da manha de inverno,
quando um rumor de português subia
em negros hábitos a escada. Freiras
a quem falei sim brasileiras peregrinas
de pouso em pouso a Roma. Quando eu disse
que eu era brasileiro a madre cujo véu
rodeava um rosto emaciado e luso
disse: –Ah, naturalizado, não é brasileiro–.
O outro caso foi em Hamburgo na
Hauptbahnof. O quiosque dos jornais
de todas as línguas. Chega uma mulher
morena –um traço dentro de opulentas peles– e pergunta
por jornais lusitanos em alemão razoável.
Era evidente que só um português dos tais desejaria
em Hamburgo informar–se assim do estado do universo.
É portuguesa? Sou. Palavra puxa palavra,
eu também era. Mas ela exclamou:
–Brasileiro naturalizado? Ah, não é português–
E voltou–me as costas com o periódico na mão,
equilibrando as pernas ainda de varina
dificilmente nos tacões finíssimos.


Exorcismos (1972)



quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Bela Silva en Zafra



El CPR de Zafra organiza, con motivo del curso "Una nueva mirada sobre Portugal",una exposición a cargo de Bela Silva, una artista lisboeta de renombre internacional, cuyo talento creativo se expande y se plasma en una rica variedad de temas y técnicas como ilustradora, ceramista, escultora y pintora.

Su conocimiento del azulejo, como pieza esencial de la estética arquitectócnica portuguesa, será ocasión de una ponencia en el mencionado curso que culminará con esta exposición, que tendrá lugar del 1 al 15 de Febrero, en el Centro Cultural Santa Marina de Zafra, en horario de 19:00 a 21:00 horas.

Actividad didáctica para trabajar con la obra de Bela Silva

domingo, 27 de janeiro de 2008

Programa de Aprendizaje de Lenguas Extranjeras - PALE en portugués

EL Programa de Aprendizaje de Lenguas Extranjeras (PALE) es un programa de cooperación entre el MEC y las Consejerías de Educación que incorpora un itinerario formativo para mejorar las competencias idiomáticas de los docentes que supone un nuevo paso en la formación del profesorado para abordar los programas de idiomas en los centros educativos. En lo que se refiere al portugués, se está celebrando la primera edición en el CPR de Badajoz. Puedes escuchar la entrevista emitida en Onda Cero el 10 de enero de 2008 donde se explican las características de este itinerario en lengua portuguesa.





Para conocer mejor el PALE:
El PALE en otras Comunidades

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Hoje em EL PAÍS

Hoje podemos ler em EL PAÍS esta carta com opiniões muito discutíveis


Las cumbres españolas con los países vecinos nunca distan más de dos semanas en el tiempo y nos permiten hacer esas cosas tan odiosas que llaman comparaciones. A pesar de que compartimos más kilómetros de frontera y más siglos de historia con nuestros vecinos del oeste, desde el centro de la Península se presta más atención al vecino del norte. Y no es cuestión de que gobierne Napoleón o Sarkozy, es que siempre es lo mismo. La noticia sobre la cumbre de Braga en EL PAÍS se titula diciendo que "España pone a Portugal al nivel de Francia", pero el interior de la noticia habla sólo de colaboración militar.

En lo demás, tal vez porque Portugal es la herida en el mapa que disgregó la unidad de las Españas y que le duele al nacionalismo de por aquí, seguimos -con excepciones- ninguneando a todo lo que viene de Portugal: no nos interesa su lengua ni su cultura y cuando vamos allí llevamos -casi todos- una altanería y prepotencia que ha dado lugar a un género de chistes sobre españoles.

Descendemos de la cumbre y podríamos mirar, de vez en cuando, hacia Portugal. Merece la pena.