domingo, 21 de dezembro de 2008

Dor elegante


O brasileiro Paulo Leminski escreveu este poema, Itamar Assumpção compôs a música e Zélia Duncan cantou.


Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Como se chegando atrasado
Andasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nessa dor
Ela é tudo que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

Ela é tudo que me sobra
Viver vai ser a nossa última obra



Cá podemos ver e ouvir Zélia Duncan, de guitarra na mão, a cantar os versos de Leminski.


terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Ensinar através da arte... "Fados" de Carlos Saura

Saiu há menos de um mês a edição em DVD do filme “Fados” do espanhol Carlos Saura. Edição essa que é um autêntico luxo, com extras e com um livro de imagens que ficaram para a posteridade aquando da realização do mesmo.

Pessoalmente, creio que estamos perante uma obra notável, de acordo com uma óptica lúcida, à parte de polémicas “fadistas” (quer da sua história ou do seu conservadorismo estético), de alguém que leva o fado nas veias sem ter nascido em território lusófono. Devo mesmo dizer que tem imagens tão impactantes como a própria música que dá título à obra de Saura. Mas, apesar de ter como consultores nomes tão notáveis da música portuguesa e da musicologia lusa, como Carlos do Carmo e Rui Vieira Nery, respectivamente, peca por não aludir a um fado também marcante, menos rústico, mais romantizado, mais dos exteriores e das serenatas, forte em emoções e digno de criticar o seu “sexismo” (a tradição diz que só pode ser cantado por homens), isto é, o fado de Coimbra.

Já que se trata de uma obra arrojada, livre e imbuída de influências e experiências, e, uma vez que Mariza já se atreveu a desafiar o instituído, cantando, desafiando a tradição imutável, um fado à moda da cidade à beira do Mondego.

Longe de ser uma crítica, dado que poucos se atrevem a abordar o fado como algo para além do que os anos (desde o século XIX, passando pelo fascismo, revolução de Abril até hoje) e a sociedade vem instituindo como canção nacional, vejo mais mérito que demérito por parte de Saura que, uma vez mais, provou ser um excelente cineasta a quem temas polémicos não põem medo.

Enquanto obra para utilizar no contexto das aulas de língua e cultura portuguesa (que talvez um dia se chamará lusófona) é uma excelente oportunidade para ensinar através da arte, ao som de notas musicais e de passos de dança moderna e experimental, tudo isto com uma fotografia original, intimista, forte em expressões e ideias.

Já o pude comprovar, utilizando-o num contexto de aulas em “Bachillerato”, mesmo que não seja do agrado de todos, a música tende a exprimir-se de uma forma universal, a atingir até o ser mais insensível, algo que, apesar de nunca ter acreditado que sim, o fado faz. Como me habituei a pensar, algo fica, por pouco que seja… ou muito... quem sabe?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Auto-retrato aos 56 anos (Graciliano Ramos)


Graciliano Ramos (1892-1953)  escreveu este Auto-retrato aos 56 anos:


Nasceu em 1892, em Quebrangulo, Alagoas.
Casado duas vezes, tem sete filhos.
Altura 1,75.
Sapato n.º 41.
Colarinho n.º 39.
Prefere não andar.
Não gosta de vizinhos.
Detesta rádio, telefone e campainhas.
Tem horror às pessoas que falam alto.
Usa óculos. Meio calvo.
Não tem preferência por nenhuma comida.
Não gosta de frutas nem de doces.
Indiferente à música.
Sua leitura predileta: a Bíblia.
Escreveu “Caetés” com 34 anos de idade.
Não dá preferência a nenhum dos seus livros publicados.
Gosta de beber aguardente.
É ateu. Indiferente à Academia.
Odeia a burguesia. Adora crianças.
Romancistas brasileiros que mais lhe agradam: Manoel Antônio de Almeida, Machado de Assis, Jorge Amado, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz.
Gosta de palavrões escritos e falados.
Deseja a morte do capitalismo.
Escreveu seus livros pela manhã.
Fuma cigarros “Selma” (três maços por dia).
É inspetor de ensino, trabalha no “Correio da Manhã”.
Apesar de o acharem pessimista, discorda de tudo.
Só tem cinco ternos de roupa, estragados.
Refaz seus romances várias vezes.
Esteve preso duas vezes.
É-lhe indiferente estar preso ou solto.
Escreve à mão
Seus maiores amigos: Capitão Lobo, Cubano, José Lins do Rego e José Olympio.
Tem poucas dívidas.
Quando prefeito de uma cidade do interior, soltava os presos para construírem estradas.
Espera morrer com 57 anos.



quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

VI Encontro de Teatro Ibérico iniciou-se ontem em Évora

"O VI Encontro de Teatro Ibérico que começou ontem, no Teatro Garcia de Resende, e que vai decorrer até ao próximo domingo, estreou a nova peça do Cendrev, denominada Antígona Gelada de Armando Nascimento Rosa. Este evento, organizado pelo Centro Dramático de Évora (Cendrev) e pelo Fórum Teatral Ibérico com os apoios do Gabinete de Iniciativas Transfronteiriças e da Câmara Municipal de Évora em colaboração com o Instituto Internacional del Teatro del Mediterrâneo (Madrid), é único no seu género na Península Ibérica. Ano após ano tem reunido, em Évora, profissionais das diversas valências com que se faz a arte teatral, provenientes de Espanha e de Portugal. De acordo com José Russo, director do Cendrev, este ano a grande aposta é motivar a criação dramatúrgica recente oriunda de ambos os países. Novos dramaturgos, textos diferentes que narram estórias de hoje e da sociedade e a exibição de alguns trabalhos fílmicos sobre artes performativas são as novidades desta sexta edição".

A intenção é estupenda, ainda não vi o programa e espero que estejam presentes grupos de teatro oriundos da Extremadura!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Homenaje a Ángel Campos Pámpano

Su biografía en Wikipedia.

sé que mientras pueda decirte
no habrá olvido
que del espacio de tu nombre
ha de brotar
abiertas sus dos sílabas
la semilla en la nieve



Son muchos los sitios de Internet que recogen la triste noticia de la muerte de Ángel Campos. Como homenaje, recogemos aquí algunos:

SUS AMIGOS

PRENSA ESPAÑOLA
PRENSA PORTUGUESA


BLOGS
Recopilación de noticias de Fátima Bello sobre el Premio Eduardo Lourenço concedido a Ángel Campos.


Ángel Campos en el Hoy (recopilación de Juan Mayo):

domingo, 30 de novembro de 2008

Torga entre Marvão e a Portagem

É favor clicarem na fotografia de Emilio Sánchez


Pátria

Serra!
E qualquer coisa dentro de mim se acalma…
Qualquer coisa profunda e dolorida,
Traída,
Feita de terra
E alma.

Uma paz de falcão na sua altura
A medir as fronteiras:
- Sob a garra dos pés a fraga dura,
E o bico a picar estrelas verdadeiras…


Miguel Torga


terça-feira, 25 de novembro de 2008

Em cada esquina um amigo

Um amigo foi embora. O poeta já não está connosco. O nosso Anjo está a voar. 

No recuerdo cuando lo conocí. Sé que entonces soñábamos. Fui sabiendo, poco a poco, que teníamos muchas cosas en común. Por eso me fue fácil llegar a él. Era tan fácil, tan ... no sé. 

Recuerdo un viaje a San Vicente, a ver un grupo de jóvenes idealistas. Un mundo de coincidencias se apoderó de la conversación: había sido profesor de mis amigas en ciudades diferentes y ambos habíamos llegado tarde a nuestra pasión por Portugal. Y la poesía. Recuerdo los primeros números de Espaço/espacio escrito, sus Odas de Ricardo Reis, las aulas de poesía, aquel día de finales de mayo de 1993, con Saramago en el instituto Zurbarán. Y tantas conversaciones telefónicas, alguna discusión, su forma de abrazar, su particular sentido del humor, esa manera graciosa de simular enfado hasta para hacer alabanzas.

Hoy la prensa hablaba de la posibilidad de que el portugués pudiera llegar a ser la segunda lengua extranjera en Extremadura. Esa fue otra de sus batallas y con él se consiguió que en el IES Domingo Cáceres hubiera portugués desde 1º de ESO a 1º de Bachillerato.  

Para quienes amamos la cultura portuguesa en Extremadura, Ángel es y será un referente por mucho tiempo. La literatura pierde a uno de sus mejores poetas. Se nos va un ser humano mayúsculo y nos queda su recuerdo y su obra. 

Até sempre, companheiro!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Vara se fija como objetivo la declaración del portugués como segunda lengua extranjera en Extremadura

É notícia hoje

El Presidente de la Junta de Extremadura se fija como objetivo "comenzar a desarrollar" la declaración del portugués como una lengua "estratégica" para Extremadura, no únicamente en la formación no reglada, donde "se han hecho ya claros esfuerzos" a través de las universidades populares y escuelas oficiales de idiomas, sino también dentro de la formación reglada. "Hay que tener claro que el inglés es evidentemente la segunda lengua de todos los europeos, o la primera cuando se trate de un idioma que no sea el propio, pero el portugués tiene que ser nuestra segunda lengua extranjera".

sábado, 22 de novembro de 2008

Escritores portugueses en las aulas literarias


Estos son los escritores portugueses que van a pasar por las diferentes Aulas Literarias de la Asociación de Escritores Extremeños. 

En
Badajoz, el martes 13 de enero de 2009, contaremos con la presencia de Valter Hugo Mãe. Será en el Salón de Actos del MEIAC a las 20 horas.

Gonçalo M. Tavares, que estuvo en octubre en Mérida y que nos encantó a todos los que pudimos compartir un rato con él, estará en Plasencia el 21 de enero de 2009, en el Auditorio Santa Ana, a las 20.horas y en Cáceres el 22 de enero de 2009, a las 20'15 horas, en el Palacio de la Isla.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O caminho e o tempo


Diz Curozero Muando, coveiro, personagem do romace de Mia Couto Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra:

O bom do caminho é haver volta. Para ida sem vinda basta o tempo.



(Agradeço ao Javier F. ter-me dado a conhecer este livro, que tive vários meses em casa até começar a lê-lo e arrepender-me logo de o não ter feito no mesmo dia em que ele me emprestou as palavras de Mia Couto).


sábado, 15 de novembro de 2008

"Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!"

Este céu é de Alter do Chão

Do mestre Alberto Caeiro, um dos mais belos poemas:

Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto,
que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
mostra que já esteve, o que não serve para nada.

A recordação é uma traição à Natureza,
porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!


Fernando Pessoa


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Ao ritmo da Lusofonia

A dança também pode ser uma boa oportunidade pedagógica para se aprender a língua portuguesa, e foi isso que o CPR de Brozas fez, inserido no projecto “Uma viagem pela Lusofonia”, ao trazer a Professora de Dança Elsa Aleixo para uma aula prática de danças tradicionais de vários países em que se fala português.

O ginásio do IES Loustau-Valverde, em Valencia de Alcántara, encheu-se de ritmo, alegria em movimento ao som dos passos de danças como o “Caranguejo” do Brasil, o “Founaná” de Cabo Verde, o “Regadinho” português ou o, também oriundo de Portugal, “Sariquité”.

O pior foi a coreografia do “Mat’aranha” em que a coordenação, direita, esquerda, não era a melhor! Mas o mais importante foi o convívio, a boa disposição, a música étnica e tradicional, a expressão corporal, tudo isso num contexto de imersão linguística em português.

Este foi mais um passo, desta vez um “passo de dança”, para a promoção da língua portuguesa na comunidade autónoma da Extremadura, no contexto da formação contínua de professores, e esperamos poder dançar mais vezes no futuro!

valter hugo mãe em Badajoz


Hoje é dia 13. Ainda faltam dois meses para o dia 13 de Janeiro, mas anunciamos para esse dia a presença na cidade de Badajoz do escritor, editor e artista plástico valter hugo mãe, que lerá os seus versos na Aula Díez Canedo (dado não usar maiúsculas nos seus textos, transcrevemos assim o nome dele).

Para começar, dados biobibliográficos retirados da página do autor:

valter hugo mãe nasceu em Angola, Saurimo, em 1971. Passou a infância em Paços de Ferreira, vive em Vila do Conde desde 1981. Licenciado em Direito, pós-graduado em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea.

Vencedor do Prémio José Saramago com o romance o remorso de baltazar serapião, Quidnovi, 2006, sobre o qual José Saramago disse: «Este livro é um tsunami, não no sentido destrutivo, mas da força. Foi a primeira imagem que me veio à cabeça quando o li. [...] Quando foi publicado? E os sismógrafos não deram por nada? Oh, que terra insensível: este livro é uma revolução. Tem de ser lido, porque traz muito de novo e fertilizará a literatura. Por vezes tive a sensação de estar a assistir a um novo parto da língua portuguesa.».

Autor também do romance o nosso reino, Temas & Debates, 2004, considerado pelo Diário de Notícias o melhor romance português editado nesse ano.

Escreveu diversos livros de poesia, entre os quais: bruno, Littera, 2007; pornografia erudita, Edições Cosmorama, 2007; livro de maldições, Objecto Cardíaco, 2006; o resto da minha alegria seguido de a remoção das almas, Cadernos do Campo Alegre, 2003; útero, Quasi, 2003; a cobrição das filhas, Quasi, 2001 e três minutos antes de a maré encher, Quasi, 2000.

Sobre a sua obra: A meta física do corpo, sobre a poesia de valter hugo mãe, seguido de uma antologia, de Rui Lage, Edições Cosmorama, 2006.

Organizou as antologias: O Encantador de Palavras, poesia de Manoel de Barros; Série Poeta, em homenagem a Julio – Saúl Dias; Quem Quer Casar com a Poetisa, poesia de Adília Lopes; O Futuro em Anos-Luz, por sugestão do Porto 2001; Desfocados pelo Vento, A Poesia dos Anos 80, Agora; Cântico Negro, poesia de José Régio, em colaboração com Luís Adriano Carlos.

A sua poesia está traduzida/editada em antologias ou livros autónomos em países como Espanha, Brasil, República Checa, Tunísia, Israel, Alemanha, Suiça, França, Eslovénia, Estónia e Estados Unidos da América.

Esporadicamente, dedica-se às artes plásticas, tendo realizado a sua primeira exposição, intitulada o rosto de gregor samsa, no final de 2006 na Galeria Símbolo (Rua Miguel Bombarda, Porto), preparando a segunda, ainda sem título, para o final de 2008.


Blogue de valter hugo mãe: casa de osso.


E, para terminar, uns versos:

estou escondido na cor amarga do fim da tarde 

estou escondido na cor amarga do
fim da tarde. sou castanho e verde no
campo onde um pássaro
caiu. sinto a terra e orgulho
por ter enlouquecido. produzo o corpo
por dentro e sou igual ao que
vejo. suspiro e levanto vento nas
folhas e frio e eco. peço às nuvens
para crescer. passe o sol por cima
dos meus olhos no momento em que o
outono segue à roda do meu tronco e, assim
que me sinta queimado, leve-me o
sol as cores e reste apenas o odor
intenso e o suave jeito dos ninhos ao
relento


(de estou escondido na cor amarga do fim da tarde)



terça-feira, 11 de novembro de 2008

IV Ciclo de Concertos "Música no Inverno/Novas Músicas do Alentejo-Extremadura"

Problema


Um dos "Seixos" do Alexandre O'Neill no seu livro de 1981 As horas já de números vestidas. Será que alguém o qualificaria hoje como "politicamente incorrecto"?


Problema.

No tempo em que os meninos, a mandado das mães, corriam à mercearia por batatas, sal, toucinho, enfim, pelas miúdas ou gráudas coisas de que a panela ferve não ferve, estava à espera, Daniel, que, nesses recados, ia sempre num pé e vinha noutro, perdeu certa feita, 125 gramas de toucinho.

Pergunta: –Quantas palmatoadas levou Daniel ao chegar, desapossado do tocinho, a casa de seus pais?

domingo, 9 de novembro de 2008

Grafiteros en la Bienal de São Paulo

Un grafitero es detenido mientras pinta con sprays las paredes 
del segundo pabellón de la Bienal de São Paulo (Foto: Choque Folha)


El ruido del vacío

Recordemos que la Bienal de São Paulo de este año propone una exposición sin obras como "metáfora de un museo imaginario", lo que ha provocado un gran desconcierto.

La 28ª Bienal de São Paulo se celebra hasta el 6 de diciembre.


(Fonte: "Babelia", El País)


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Lusofonia “Transfronteiriça”

Está na ordem do dia uma maior proximidade entre as regiões do Alentejo e a Estremadura espanhola, e, tendo em conta essa realidade, as Juntas de Freguesia do Centro Histórico de Évora, encabeçada pela Junta de Freguesia de São Mamede, são parceiros institucionais do projecto “Uma Viagem pela Lusofonia”.
O projecto, promovido pelo Centro de Professores e Recursos de Brozas, na província estremenha de Cáceres, visa a formação continua de docentes no âmbito da língua portuguesa e da cultura lusófona e encontrou em entidades eborenses, como as já referidas Juntas e a Escola EB 2/3 de Santa Clara (na qual se abordarão temas relacionados com o sistema educativo português e projectos internacionais) os parceiros ideais para a concretização do mesmo.
O programa encontra-se dividido em duas partes, as quais se realizarão na localidade da raia espanhola de Valencia de Alcántara e em Évora, respectivamente, abordando áreas tão peculiares que vão desde a literatura lusófona, técnicas de expressão dramática em português, danças de expressão lusófona, uma reflexão sobre a candidatura do fado a património intangível da UNESCO, às tão originais expressões idiomáticas em português, entre outros temas de igual pertinência. Em suma, uma panóplia de temas abordados num ambiente de imersão linguística, o que será uma mais-valia para os participantes de origem espanhola, não nativos no idioma.
O referido projecto culminará nos dias 14 e 15 de Novembro, na cidade de Évora, onde os participantes poderão participar em inúmeras actividades e conferências, iniciativas essas que contarão com profissionais com provas dadas no âmbito da divulgação da língua e cultura em português.
Com esta iniciativa espera-se continuar a fomentar o intercâmbio e as relações transfronteiriças entre estas duas regiões vizinhas e a promover mais relações institucionais e culturais entre Portugal e Espanha.

PROGRAMA.

IES Loustau -Valverde. Valencia de Alcántara. Espanha

4 de noviembre de 2008

17,30h- Conferência sobre a História da Literatura Portuguesa

Luís Leal

13 de noviembre de 2008

17,30h- Oficina de Danças Tradicionais de Expressão Lusófona

– Elsa Aleixo (Lic. Dança pelo FMH)

Évora. Portugal

14 de noviembre de 2008

16h- Visita à escola eborense de St.ª Clara e apresentação sobre o sistema educativo português

19.30h- Conferência sobre “A Origem do fado e a sua candidatura a Património intangível da Humanidade”

- Luís Leal(*)

21h- Casa de fado “Bota Alta” com actuação, ao vivo, do fadista Duarte

15 de noviembre de 2008

9.30h- Oficina de Arte Dramática em Português .

Manuel Piçarra (Lic. Filologia Portuguesa) (**)

11h- Representação da peça “Ir à Índia e voltar, sem sair de Portugal”

- Grupo de teatro eborense “Temporal” . (**)

15.15- “Língua, vidas em portugués” ,Visualização do documentário sobre a lusofonia (*)

17h- “As expressões idiomáticas em português” -Elsa Carreire (Diplomada por Escuela Oficial de Idiomas de Cáceres) (*)

(*) Sala de formação das Juntas de Freguesia do Centro Histórico

(**) Sociedade Dramática Eborense

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Mário Vitória




Mário Vitória nasceu em Coimbra em 1983. Vive e trabalha em Sheffield (Inglaterra). Durante o percurso académico realizou estudos intermédios em Lyon (França) e Bolonha (Itália). Licenciou-se na faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto onde actualmente é discente do Mestrado em Práticas e Teorias do Desenho. Das suas exposições individuais recentes destacam-se a exposição na Galeria Minimal (Porto 2007), Galeria do Museu Nogueira da Silva (nomes novos para coisas antigas, Braga 2007), e na galeria Nuno Sacramento (o guardador de rebanhos, Aveiro2008).


(Fonte, http://mariovitoria.wordpress.com, através do blogue casa de osso de valter hugo mãe)

sábado, 1 de novembro de 2008

"pra chorar qualquer lugar me cabe"

Fotografia de Goga

Da brasileira Adélia Prado, um poema a "condizer" com este dia...


POEMA ESQUISITO


Dói-me a cabeça aos trinta e nove anos.
Não é hábito. É rarissimamente que ela dói.
Ninguém tem culpa. Meu pai, minha mãe descansaram seus fardos,
não existe mais o modo
de eles terem seus olhos sobre mim.
Mãe, ô mãe, ô pai, meu pai. Onde estão escondidos?
É dentro de mim que eles estão.
Não fiz mausoléu pra eles, pus os dois no chão.
Nasceu lá, porque quis, um pé de saudade roxa,
que abunda nos cemitérios.
Quem plantou foi o vento, a água da chuva.
Quem vai matar é o sol.
Passou finados não fui lá, aniversário também não.
Pra quê, se pra chorar qualquer lugar me cabe?
É de tanto lembrá-los que eu não vou.
Ôôôô pai
Ôôôô mãe
Dentro de mim eles respondem
tenazes e duros
porque o zelo do espírito é sem meiguices:
Ôôôôi fia.


Adélia Prado


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Viajar pelos sons

Alguém, nalguma parte da Alfama, pratica melodias na sua flauta; vozes que gritam as mercadorias no mercado.... Tudo e mais em Soundbum.

domingo, 26 de outubro de 2008

Portugal, tema de la semana en el blog del Presidente

En el blog de Guillermo Fernández Vara, el presidente de la Junta de Extremadura plantea a quienes quieran participar que aporten sus ideas sobre la relación de Extremadura con Portugal. Puede ser una buena oportunidad. Este es el texto del presidente, en el que anima a dar opiniones al respecto.

He pensado que puede ser bueno también hablar de otras cosas y esta semana hemos tenido en Extremadura la celebración de Ágora, el debate peninsular. Entre otros temas ha estado presente el de la defensa y seguridad. En mi intervención de la inauguración dije algo de lo que estoy absolutamente convencido. Portugal, para nosotros, no solamente es un hecho diferencial que nos identifica, es además, en los tiempos que corren, una suerte. La suerte de poder trabajar juntos, de cooperar, de sumar fuerzas en una Europa sin fronteras. Alguna vez hemos tratado este tema en nuestra Plaza. Pero me gustaría que pudiéramos reflexionar sobre lo que representa para Extremadura, para Alentejo, para la región Centro estar en disposición hoy de compartir un proyecto de futuro en varios ámbitos. Hablemos de ello. De la cultura, de la economía, del comercio, del agua, de la sanidad, de la universidad, del turismo...Hagamos el ejercicio de ir completando un cuadro con piezas que permitan luego verlo entero. Me vendrá muy bien saber que pensáis. Y más que eso , cómo lo veis desde vuestra óptica. Tenemos el tema bastante bien enfocado pero quiero conocer otras perspectivas.

El portugués llega a la Selectividad

En esta noticia que aparece hoy en EL PAÍS se afirma que los estudiantes que entren en la universidad en el futuro deben demostrar que saben hablar correctamente alguno de estos cinco idiomas: alemán, francés, inglés, italiano o portugués, las lenguas más habladas en la UE. 

Algo es algo

sábado, 25 de outubro de 2008

Pequena crónica de um encontro

Cláudia Statmiller

Cláudia Statmiller em acção a improvisar com uma "aluna "retardatária"

No passado fim-de-semana (sexta e o sábado, o dia todo), realizaram-se em Cáceres as II Jornadas de Actualização para professores de PLE na Extremadura, organizadas pelo CPR de Cáceres, o Instituto Camões e a Área de Filologia Portuguesa da UEX.

A reunião convocou perto de cinquenta pessoas, professores de português na Extremadura nos vários níveis em que existe formação em Língua Portuguesa, mas também alunos universitários e das EOI.

Objectivo deste encontro, altamente atingido, era a partilha de experiências docentes. As apresentações fizeram-nos refletir sobre aspectos muito diversos que, fundamentalmente, têm a ver com a introdução na aula de português de aspectos culturais ligados ao ensino da língua e de novos suportes que tornem a prática ensino/aprendizagem mais eficaz e actual.

É obrigatório assinalar o efeito “salutífero” que produziu em todos nós o “workshop” da actriz Cláudia Statmiller. Passámos grande parte da manhã de sábado a comprovar a importância que a linguagem gestual (voz, vista, corpo) tem no desenvolvimento da nossa prática docente. Mas ela conseguiu, sobretudo, criar entre nós um ambiente de distensão e colaboração de que, às vezes, estamos a precisar.

As jornadas concluíram com a Assembleia da APPEX. Todos os presentes concordaram em continuar a trabalhar para que a associação exista e consiga uma voz própria no contexto extremenho. É evidente que isto só pode acontecer se todos nós colaboramos, expressando as nossas opiniões na lista da APPEX e no blogue, pagando as quotas, apoiando as decisões da nova junta directiva, informando sobre o que acontece no centro de trabalho de cada um, participando nas próximas jornadas, etc. Começa uma nova etapa para a APPEX em tempos “difíceis” para o sistema de ensino do Português em Extremadura. 


Votos de bom trabalho e sucesso para os novos responsáveis da APPEX.


Mª Jesús Fernández García
professora de Gramática Portuguesa na Universidade da Extremadura



sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A Editora do Bispo


Do óptimo blogue luso-brasileiro Obvious ("um olhar mais demorado..."), retiramos esta notícia:

Fundada na cidade de São Paulo, a Editora e Loja Do Bispo foi pensada para ser um promíscuo e alegre flerte entre a literatura, as artes gráficas e as artes plásticas, a loja. A concepção da linha editorial viria da junção entre a artista plástica Pink Wainer, do jornalista Xico Sá e do advogado Zuca Pinheiro que, em 2005, abriram as portas da Rua Dr. Melo Alves 278 para uma série de talentos que em pouco ou nada se encaixariam no que o atual mercado livreiro tem se esmerado em distribuir: livros massivos ao sabor do descartável, blockbusters de papel.

Não é esse o interesse da Do Bispo, dizem os próprios: na contramão da caretice e do conservadorismo do mundo editorial , os livros do bispo têm a beleza do pecado e da desobediência. Pelo que dizem e como são apresentados. Levam essa promessa à cabo lançando obras que são atraentes por seu conteúdo e por seu formato como é o caso do mais recente lançamento “Nossa Senhora da Pequena Morte” de autoria da escritora gaúcha Clarah Averburk e da artista plástica argentina Eva Uviedo. Trata-se de um livro-LP, assinado pelas autoras e numerados fazendo da peça algo muito mais intimista e cuidada.

Entre os títulos publicados pela editora estão ainda o polêmico glossário gay “Aurélia – a dicionária da língua afiada”, “Manual para fazer das crianças pobres churrasco” de Jonathan Swift, o último do Xico Sá “Caballeros solitários rumo ao sol poente” e “Por que se mete, porra!” do magníficamente desbocado Paulo Cesar Pereio. Podem ser encontrados na maior parte das livrarias brasileiras, mas é possível que nada se compare a uma ida pessoal à Loja do Bispo; uma casa repleta de obras de artes, antiguidades e acessórios hype onde tudo está à venda.

A idéia de abrir uma editora tão diferente surgiu quando Pink Wainer e Xico Sá começaram a confeccionar seus próprios livros pela Editora Fina Flor e, por terem tomado gosto na manufatura, pensaram no quanto outras pessoas também gostariam de ter em mãos livros que explorassem manuscritos, colagens e papéis perdidos em gavetas. No início as tiragens eram completamente manuais, mas hoje, para a melhor distribuição, contam com a ajuda industrial.

Para conhecer mais sobre a ousada editora, vale uma visita à página www.editoradobispo.com.br onde, inclusive, estão diversos títulos disponíveis para download gratuito.


quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Nueva Junta Directiva de la APPEX

Sepan cuantos no estuvieron presentes en la asamblea celebrada en Cáceres el pasado sábado, 18 de octubre, en el marco de las "II Jornadas de actualización docente de portugués. Creación de nuevos materiales y soportes", que de ella salió elegida la nueva Junta Directiva de la Asociación del Profesorado de Portugués de Extremadura (APPEX). Ei-la:


Presidente: Ana Marcelino

Vicepresidente
: Manuel López

Secretaria
: Emilia Valares

Tesorera
: Manoli Luque


Vocales
: Cristina Corral, Jacques Songy, Silvia Amador, Ana Belén García, Sandra Hurtado y Amparo Gómez.


Um bem-haja para todos!


domingo, 19 de outubro de 2008

Manoel de Barros e Goga


Acho que foi por acaso que descobri os versos do brasileiro Manoel de Barros através das fotografias alojadas no Flickr pelo também brasileiro Goga. Esse Livro das ignorãças é mesmo uma maravilha.

Todas, todas as fotografias de Goga, até as tiradas cá na Europa, por exemplo, em Barcelona, vão acompanhadas de um ou dois versos do poeta mato-grossense, que, se não me engano, é vivo e deve andar pelos 92 anos.

De Goga, as palavras dele no perfil do Flickr: "Um londrinense que estudou arquitetura em Curitiba, foi ensinar em Campo Grande e agora voltou a estudar em Barcelona".

Ergo um copo, pois, à saúde de Manoel de Barros e de Goga, descobridor de poetas...


XIX

O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa

era a imagem de um vidro mole que fazia uma

volta atrás de casa.

Passou um homem depois e disse: Essa volta

que o rio faz por trás de sua casa se chama

enseada.

Não era mais a imagem de uma cobra de vidro

que fazia uma volta atrás de casa.

Era uma enseada.

Acho que o nome empobreceu a imagem.