A Nicola saúda as comunidades portuguesas ao longo desse mundo fora adocicando a saudade no seu café… Sem dúvida um sabor de Portugal e uma simpática maneira de fazer publicidade. Não é a “mística do instante” dos pacotes de açúcar da Delta mas faz boa companhia.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
É duro ter coração mole (Alice Ruiz)
Fotografia de Junior Amo Jr
É DURO TER CORAÇÃO MOLE
Por favor
não me aperte tanto assim
tenha cuidado, pega leve
olha onde pisa
isso é meu coração
meu ganha-pão
instrumento de trabalho,
meio de vida, profissão
meu arroz com feijão
meu passaporte
para qualquer parte
para qualquer arte
não machuque esse meu coração
preciso dele
para me levar a Marte
sem sair do chão
não me aperte
não machuque
tome cuidado
eu vivo disso
poesia, sonhos
e outras canções
sem emoção
morro de fome
sinto muito
mas não há nada
que eu possa fazer
sem coração
Alice Ruiz
não me aperte tanto assim
tenha cuidado, pega leve
olha onde pisa
isso é meu coração
meu ganha-pão
instrumento de trabalho,
meio de vida, profissão
meu arroz com feijão
meu passaporte
para qualquer parte
para qualquer arte
não machuque esse meu coração
preciso dele
para me levar a Marte
sem sair do chão
não me aperte
não machuque
tome cuidado
eu vivo disso
poesia, sonhos
e outras canções
sem emoção
morro de fome
sinto muito
mas não há nada
que eu possa fazer
sem coração
Alice Ruiz
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Olá amigos,
A APPEX, seguindo decisão da assembleia do mês de novembro decidiu enviar uma carta à Consejería de Educación da Extremadura para pedir uma atenção especial e merecida para o português, uma vez que tanto se pretende que venha a ser segunda língua na região da Euroace.
Pois aqui vai a carta para conhecimento dos amantes do português na Extremadura!
A APPEX, seguindo decisão da assembleia do mês de novembro decidiu enviar uma carta à Consejería de Educación da Extremadura para pedir uma atenção especial e merecida para o português, uma vez que tanto se pretende que venha a ser segunda língua na região da Euroace.
Pois aqui vai a carta para conhecimento dos amantes do português na Extremadura!
domingo, 23 de novembro de 2014
VIII Jornadas de Língua e Cultura Lusófona em Cáceres
Acho que devemos dar os parabéns aos nossos colegas da EOI de Cáceres e ao CPR local pela maravilhosa organização da Jornada da APPEX deste ano. Um sucesso: casa cheia, palestras práticas e motivadoras, almoço-convívio original, apesar dos desencontros com a ideia original e uma boa dose de bom humor e, sobretudo de grande hospitalidade...
Para vos deixar com vontade de mais... que para o ano será, como sempre lá para o fim do ano... deixo-vos umas fotos do evento.
E para os sócios, recordar que em abril haveremos de conseguir essa imersão entre colegas que, não tenho dúvida, será outro êxito|
Inauguração Oficial da Jornada
A nossa amiga Teresa Ferreira e a casa, nesse momento, ainda quase cheia...
Retratos literatos... a palestra de Teresa Ferreira.
Um dia em cheio que só podia acabar com um maravilhoso passeio pela cidade de Cáceres. Com guia e animação, uma ideia original dos organizadores que, em Português, nos fez reviver os tempos medievais do ambiente cacereño.
Acho que devemos dar os parabéns aos nossos colegas da EOI de Cáceres e ao CPR local pela maravilhosa organização da Jornada da APPEX deste ano. Um sucesso: casa cheia, palestras práticas e motivadoras, almoço-convívio original, apesar dos desencontros com a ideia original e uma boa dose de bom humor e, sobretudo de grande hospitalidade...
Para vos deixar com vontade de mais... que para o ano será, como sempre lá para o fim do ano... deixo-vos umas fotos do evento.
E para os sócios, recordar que em abril haveremos de conseguir essa imersão entre colegas que, não tenho dúvida, será outro êxito|
Inauguração Oficial da Jornada
A nossa amiga Teresa Ferreira e a casa, nesse momento, ainda quase cheia...
Retratos literatos... a palestra de Teresa Ferreira.
Raquel Gafanho trouxe-nos A HORA DO CONTO.PT
E Joana Castaño partilhou connosco umas quantas estratégias didáticas.
Um dia em cheio que só podia acabar com um maravilhoso passeio pela cidade de Cáceres. Com guia e animação, uma ideia original dos organizadores que, em Português, nos fez reviver os tempos medievais do ambiente cacereño.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
terça-feira, 11 de novembro de 2014
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Mais um diálogo d' 'A Livreira Anarquista'
Diálogos Surreais
Freguês: Tem Florbela Espanca?
Livreira Anarquista: Sim, temos aqui uma nova edição d'os Sonetos...
Freguês: Pois...os sonetos....mas não tem de versos?
(A Livreira Anarquista)
Domínio Público - Brasil
Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, e parece que ainda é viva. Imaginem um lugar
onde podemos, por exemplo...
Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ;
Escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
Ler poesia de Fernando Pessoa
Ler obras de Machado de Assis ou a Divina Comédia;
Ter acesso às melhores historias infantis e vídeos da TV ESCOLA
·
E muito mais...
Esse lugar existe!
O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, bastando acessar o site: www.dominiopublico.gov.br
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Nascidos em Portugal, residentes noutros países
Um milhão de pessoas nascidas em Portugal reside noutro país da União
Ana Cristina Pereira
16/06/2014 - 08:00
França, Luxemburgo e Alemanha destacam-se como velhos destinos. Suíça, Reino Unido e Espanha como novos.
(Diário Público)
quarta-feira, 5 de março de 2014
O doce diferido (Miguel Esteves Cardoso)
O doce diferido
Dizem que se é adulto quando se consegue lidar com a gratificação adiada. Ser-se infantil, em contrabirra, é querer tudo já e logo e imediatamente.
Mais adulto ainda é agradecer o adiamento. Quando eu era jovem ficava até às tantas a ver os óscares em directo. Há um lustro deitava-me e ficava a saber tudo pelos jornais da manhã.
Anteontem, finalmente, ganhei juízo. Vimos a passadeira vermelha na cama (percebendo que os actores andam às voltas, como num carrocel, na esperança que alguém os apanhe para uma entrevista) e às duas da manhã já estávamos a dormir.
No dia seguinte, ontem, fizemos gazeta. Não vimos jornais nem abrimos o mail nem falámos com ninguém que soubesse quem tinha ganho. Foi mais difícil do que pensávamos. Pusemo-nos a ver a cerimónia como se estivéssemos a assistir à transmissão.
As directas da juventude são substituídas pelos diferidos da maturidade. Eis o momento mais adulto: interrompemos os óscares para ir almoçar, longamente, à beira-mar. É verdade. Aguentámos muito bem o suspense e até à desastrosa escolha de melhor filme (para o 12 Anos Escravo) ainda tínhamos esperança que pudesse ganhar o Nebraska.
Os filmes eram reles mas a Ellen DeGeneres teve piada e o show pós-óscares de Jimmy Kimmel, com Kevin Spacey genial, foi o melhor de sempre. Da conversa geral da noite aprendi que os filmes "recordam-nos o que é sermos humanos". Isto no caso de não sermos um dos desgraçados que não conseguem esquecer-se dessa condição.
Miguel Esteves Cardoso
(Público, 4 de março de 2014)
Mais adulto ainda é agradecer o adiamento. Quando eu era jovem ficava até às tantas a ver os óscares em directo. Há um lustro deitava-me e ficava a saber tudo pelos jornais da manhã.
Anteontem, finalmente, ganhei juízo. Vimos a passadeira vermelha na cama (percebendo que os actores andam às voltas, como num carrocel, na esperança que alguém os apanhe para uma entrevista) e às duas da manhã já estávamos a dormir.
No dia seguinte, ontem, fizemos gazeta. Não vimos jornais nem abrimos o mail nem falámos com ninguém que soubesse quem tinha ganho. Foi mais difícil do que pensávamos. Pusemo-nos a ver a cerimónia como se estivéssemos a assistir à transmissão.
As directas da juventude são substituídas pelos diferidos da maturidade. Eis o momento mais adulto: interrompemos os óscares para ir almoçar, longamente, à beira-mar. É verdade. Aguentámos muito bem o suspense e até à desastrosa escolha de melhor filme (para o 12 Anos Escravo) ainda tínhamos esperança que pudesse ganhar o Nebraska.
Os filmes eram reles mas a Ellen DeGeneres teve piada e o show pós-óscares de Jimmy Kimmel, com Kevin Spacey genial, foi o melhor de sempre. Da conversa geral da noite aprendi que os filmes "recordam-nos o que é sermos humanos". Isto no caso de não sermos um dos desgraçados que não conseguem esquecer-se dessa condição.
Miguel Esteves Cardoso
(Público, 4 de março de 2014)
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
RTP: O nascimento da Emissora Nacional
RTP: O nascimento da Emissora Nacional. As primeiras emissões da Emissora Nacional. Um artigo para ouvir no Ensina no Dia Mundial da Rádio
Ensina RTP.
Ensina RTP.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Uma questão de costumes (Fernando Campos)
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Surge Janeiro frio e pardacento (José Régio)
Atuais estes versos de José Régio. É só mudar as quantias
Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,
Também faz o pequeno “sacrifício”
De trinta contos – só! – por seu ofício
Receber, a bem dele… e da nação.
José Régio, 1969
(Obrigado ao Luís Neves, que me deu a conhecer este soneto)
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,
Também faz o pequeno “sacrifício”
De trinta contos – só! – por seu ofício
Receber, a bem dele… e da nação.
José Régio, 1969
(Obrigado ao Luís Neves, que me deu a conhecer este soneto)
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Se (Alexandre O'Neill)
SE...
Se é possível conservar a juventude
Respirando abraçado a um marco do correio;
Se a dentadura postiça se voltou contra a pobre senhora e a mordeu
Deixando-a em estado grave;
Se ao descer do avião a Duquesa do Quente
Pôs marfim a sorrir;
Se Baú-Cheio tem acções nas minas de esterco;
Se na América um jovem de cem anos
Veio de longe ver o Presidente
A cavalo na mãe;
Se um bode recebe o próprio peso em aspirina
E a oferece aos hospitais do seu país;
Se o engenheiro sempre não era engenheiro
E a rapariga ficou com uma engenhoca nos braços;
Se reentrante, protuberante, perturbante,
Lola domina ainda os portugueses;
Se o Jorge (o "ponto" do Jorge!) tentou beber naquela noite
O presunto de Chaves por uma palhinha
E o Eduardo não lhe ficou atrás
Ao sair com a lagosta pela trela;
Se "ninguém me ama porque tenho mau hálito
E reviro os olhos como uma parva";
Se Mimi Tavessuras já não vem a Lisboa
Cantar com o Alberto...
...Acaso o nosso destino, tac, vai mudar?
Alexandre O'Neill
No Reino da Dinamarca (1958)
Se é possível conservar a juventude
Respirando abraçado a um marco do correio;
Se a dentadura postiça se voltou contra a pobre senhora e a mordeu
Deixando-a em estado grave;
Se ao descer do avião a Duquesa do Quente
Pôs marfim a sorrir;
Se Baú-Cheio tem acções nas minas de esterco;
Se na América um jovem de cem anos
Veio de longe ver o Presidente
A cavalo na mãe;
Se um bode recebe o próprio peso em aspirina
E a oferece aos hospitais do seu país;
Se o engenheiro sempre não era engenheiro
E a rapariga ficou com uma engenhoca nos braços;
Se reentrante, protuberante, perturbante,
Lola domina ainda os portugueses;
Se o Jorge (o "ponto" do Jorge!) tentou beber naquela noite
O presunto de Chaves por uma palhinha
E o Eduardo não lhe ficou atrás
Ao sair com a lagosta pela trela;
Se "ninguém me ama porque tenho mau hálito
E reviro os olhos como uma parva";
Se Mimi Tavessuras já não vem a Lisboa
Cantar com o Alberto...
...Acaso o nosso destino, tac, vai mudar?
Alexandre O'Neill
No Reino da Dinamarca (1958)
sábado, 21 de dezembro de 2013
Entrevista com Clarice Lispector
Última entrevista da escritora Clarice Lispector pouco tempo antes de morrer.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Poema de Natal (Vinicius de Moraes)
POEMA DE NATAL
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Vinicius de Moraes
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Vinicius de Moraes
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Pela abolição do verbo «acreditar»
Não há qualquer possibilidade de vida humana em sociedade sem confiança.
Eu confio que na minha viagem do Porto a Lisboa, de comboio, este não vai descarrilar. Confio que o avião onde viajo não vai cair e que o piloto sabe o que está a fazer. Confio que o médico que me vê sabe diagnosticar a minha doença e encontrar para ela o melhor tratamento. Confio que o meu inquilino me vai pagar a renda no fim do mês, com cujo produto vou pagar a conta da mercearia que o merceeiro me fiou, confiando que eu sou de confiança.
A confiança é um valor absolutamente fundamental e imprescindível.
Mas a confiança não é cega nem irracional. Ela funda-se na experiência. Eu confio que o comboio não descarrila e o avião não cai, porque é isso que normalmente acontece. Os carris foram montados e os aviões foram construídos por gente que conhece os princípios do carrilamento e do voo. Eu confio no médico, porque ele recebeu formação específica para me tratar. E, se tiver a sanita entupida, já não confio no médico; chamo o picheleiro.
Claro está que, pese embora a minha confiança, o comboio pode, de facto, descarrilar, o avião pode cair, o médico pode matar-me e o meu inquilino pode barricar-se dentro de casa sem me pagar a renda. A confiança não se traduz num critério infalível de certeza matemática na acção, mas num critério de desenvolvimento apenas normal e expectável dos acontecimentos.
E é aqui que a a confiança se afasta da simples fezada, consubstanciada no uso gratuito do verbo «acreditar».
Falível embora, o «confiar» tem um fundamento racional e razoável: a experiência passada, individual e colectiva.
Ao invés, o «acreditar» gratuito não tem fundamento algum. Exprime um mero desejo, uma esperança sem razão que um futuro que não controlamos se realize em conformidade com aquilo que nos convém.
Assim, ao apostar nos números 4, 7, 27, 29 e 32, do euromilhões, por exemplo, ninguém diz: «eu confio que é esta a chave do sorteio». Essa confiança seria absurda. Aquela chave tem tanta probabilidade de sair como qualquer outra. O apostador acredita, sim, por simples fezada cega, que a dita chave vai ganhar. Tem esperança que assim seja; anseia que assim seja. Tem uma fezada, uma crença injustificada e injustificável. Em média, uma vez em cada cem milhões, a fezada corre-lhe bem.
É por isto tudo que é tão preocupante ver os telejornais hoje em dia. Neles – que são o espelho da sociedade em que vivemos – o verbo «acreditar» domina do princípio ao fim. Há um regresso absoluto ao pensamento mágico, pré-racional e mitológico.
Na conferência onde apresenta o último conjunto de medidas de austeridade, recessivas e geradoras de falências crescentes, o ministro das finanças jura acreditar que o desemprego vai começar a decrescer em breve. No jogo que vai disputar com o Barcelona de Guardiola e Messi, o treinador da equipa de quinta categoria, com os seus dois melhores jogadores lesionados, protesta acreditar que o seu clube vai seguir em frente na eliminatória. À porta do hospital onde entrou com a cervical fracturada e metade do cérebro derramado na berma da estrada onde se despistou a duzentos à hora, os fãs do cantor da moda declaram, diante do êxtase orgástico do repórter de serviço, acreditar que o sinistrado se vai salvar e que ainda irão assistir a muitos dos seus concertos.
Todos sabem que, nestes casos todos, o acreditar não tem pés nem cabeça, não traduz qualquer sentimento razoável ou racionalmente fundado e que o expectável é o exacto inverso do acreditado (salvo um milagre que, como explicava Chesterton, por ser milagre, não anda por aí a acontecer por dá cá aquela palha).
Mas, incapazes de controlar o destino e sem meios que lhes permitam, com um mínimo de probabilidade, conduzir os acontecimentos aos resultados desejados, os crentes acreditam que a fezada os salva e depositam supersticiosamente no verbo «acreditar» a força mágica de produzir os efeitos que a confiança não inspira nem pode, com substância, inspirar. Como os nossos primitivos antepassados, com pensamento mágico, pré-lógico, acreditam que, se acreditarem e declararem bem alto acreditar, a sua fezada carregará energias propiciatórias e concitará o favor dos deuses que, contra toda a evidência, lhes prodigalizarão os favores desejados.
E o pior é que estes idiotas com mentalidade das cavernas exibem sempre muito ufanos a sua fezada, como se de uma qualidade moral que os tornasse superiores se tratasse. Têm um orgulho enorme nela e sentem um infinito e arreigado desprezo por aqueles (os cépticos e os pessimistas, como eles com horror e nojo os classificam) que os desmascaram e identificam como aquilo que realmente são: uns idiotas.
E pior de tudo, ainda, é que o paradigma é deles. São eles, os idiotas supersticiosos, os donos do discurso e é o discurso deles que faz hoje o mainstream que conduz por via directa ao poder. Basta ver os anúncios aos produtos bancários do momento, onde tudo é acreditar, tudo é fezada, tudo é engano.
É tempo exigir um retorno à racionalidade. É tempo de expulsar a estupidez do discurso e abolir dele o verbo «acreditar», remetendo de novo o seu uso para o domínio exclusivo da transcendência, da verdade revelada, onde impera, não a fezada, mas a fé esclarecida, acessível não pela enunciação ritual de fórmulas mágicas e supersticiosas, mas pela razão humilde e recta, iluminada pela graça do Espírito Santo.
PS – Acabei de escrever este post por volta das 13:20 h do dia 8 de Maio de 2012. Às 13:22 h ligo a televisão na SIC Notícias. As primeiras palavras que ouço são estas: «Os Estados Unidos acreditam ter impedido um atentado da célula da Al-Qaeda no Iémen…»
António Conceição
António Conceição
Publicado no blogue Funes, el memorioso (da memória, porque memória é tudo o que não é real.)
domingo, 24 de novembro de 2013
O povo pede desculpa por ainda não ter escolhido a violência (José Manuel Fernandes)
Apesar de tanta gente antecipar a violência popular, o país parece ter descoberto uma sabedoria dos tempos difíceis
Se os tempos fossem outros, o “encontro das esquerdas” promovido ontem por Mário Soares na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa teria sido convocado para um espaço bem mais amplo.
Se os tempos fossem outros, a criação de um novo partido que afirma a ambição de federar as esquerdas não teria decorrido numa sala meio vazia de um cinema de Lisboa. Se os tempos fossem outros, os quase 500 dias de protestos e greves no sector público de transportes já teriam desembocado em múltiplas greves gerais capazes de paralisarem o país e não de ficarem quase só pelas empresas e pelos funcionários do Estado.
Mas então por que é que os tempos não são outros? A acreditar nas previsões dos mais avisados políticos e dos mais ponderados senadores, o país devia estar a ferro e fogo. Pessoas aparentemente tão diferentes como Mário Soares – que há mais de um ano escreve sobre “a violência que aí vem” e esta quarta-feira anunciou que “os portugueses não iam ficar parados” – ou Januário Torgal Ferreira – que entendeu que a melhor forma de criticar o Governo era chamar-lhe “profundamente corrupto” – convergem numa mesma inquietação: o povo está muito parado, muito apático. Talvez por isso, como se cantava noutros tempos, o que seja preciso “é agitar a malta”.
Por outro lado, se olharmos para uma banca de jornais ou nos sentarmos para ouvir um telejornal, o rol de desgraças e malfeitorias é tão interminável que se entende a incompreensão de tantos dos nossos opinadores por os tempos não serem outros. Num país onde tudo é sempre apresentado como mais um cataclismo social, custa a entender por que não surgiu ainda uma moderna Carbonária.
Não sei, ninguém sabe, se o nosso país vai conseguir atravessar estes dias difíceis sem episódios com a gravidade de alguns que já ocorreram noutros países. Nunca se está livre de um episódio, que até pode ser isolado – como foram, esta semana, os tiroteios em Paris –, atear tempestades maiores. Mas julgo sinceramente que não é o cenário mais provável. Mais: isso não decorrerá dos nossos míticos “bons costumes”, antes de existir a percepção, mesmo que difusa e poucas vezes assumida, de que houve um tempo de fartura (relativa) que passou e que agora há um tempo de contenção que durará vários anos e vários governos.
Recentemente, a propósito da fraca afluência à que deveria ter sido a terceira grande manifestação do movimento Que Se Lixe a Troika, não faltou quem culpasse o medo pela ausência das esperadas multidões. Mas medo de quê? Medo do Governo? Não faz sentido. Medo de perder o emprego? Mas quem o perderia por desfilar a um sábado, dia de descanso? Medo do futuro? Sem dúvida. Mas não deveria esse medo do futuro convocar ainda mais manifestantes?
Talvez seja esta última interrogação a mais pertinente. Se há medo do futuro, há talvez ainda mais medo das alternativas aos dias que correm. Até pelo que elas omitem. Tomemos um caso desta semana. Mário Soares entendeu que era chegado o momento não apenas de pedir a demissão do Governo, como a saída do Presidente da República. Não faço ideia, e julgo que ninguém fará, como quereria que se gerisse depois o longo interregno, que duraria muitos meses, de incerteza política e caos institucional. Com um primeiro-ministro tecnocrata? Com um Presidente designado pelas Forças Armadas? E quem negociaria com a troika? Os partidos, cada um por si? E seria que o PS devia ficar de fora, para não legitimar nada? E como iria Portugal conseguir os mais de 20 mil milhões de euros de que necessita para financiar o défice de 2014 e pagar os empréstimos que vencem ao longo do próximo ano? Incumpria, declarando bancarrota?
Ao mesmo tempo, o PS, apesar de alguns esforços para formular uma política mais coerente e de algumas tiradas sobre “responsabilidade orçamental”, praticamente só apresentou na Assembleia propostas de alteração ao Orçamento que fariam aumentar o défice de 2014. É simpático, mas não é suficientemente sólido para que António José Seguro seja levado a sério.
Faço parte dos que sentem – dos que sabem – que “não há dinheiro”, mas já não sou dos que defendem que não há alternativa. Alternativas há sempre, é preciso é saber se são melhores. O que me custa ver em Portugal é pouca gente assumir que todas as alternativas têm também os seus custos. Podemos, por exemplo, defender que há cortes nas despesas do Estado que são intoleráveis – mas então devemos também dizer como fazemos crescer as suas receitas, e não vale falar das quimeras do crescimento económico, pois esse quase desapareceu desde a viragem do milénio e não regressará apenas pondo o Estado a gastar mais dinheiro. Depois de ter comprado tantas ilusões durante tantos anos e tantos ciclos eleitorais, o povo quer mais, não se satisfaz apenas com propostas de acabar com a austeridade – porque não acredita nelas.
Mais do que o medo ou a desconfiança face às alternativas, julgo que a razão principal para a “apatia” que tanto inquieta uma parte dos nossos intelectuais está na consciência de que alguma forma de austeridade – ou de contenção e poupança, se preferirmos as palavras que os alemães usam quando se referem a austeridade – fará parte do nosso destino nos próximos anos.
A forma como os portugueses têm vindo a alterar os seus padrões de consumo ajuda-nos a perceber este novo estado de espírito. Um estudo de mercado muito alargado elaborado no final do ano passado indicava, por exemplo, que havia entre os consumidores aquilo a que os especialistas chamaram um novo “frugalismo”. Não se adica apenas do que não se tem dinheiro para comprar, abdica-se do que se pensa que é supérfluo. Isso acontece tanto nas escolhas feitas nas prateleiras de um hipermercado como no recurso a mercados de bens em segunda mão (como nos sites de leilões). E não corresponde apenas a uma alteração de comportamento, corresponde também a uma nova atitude anticonsumista que é verbalizada nas entrevistas. Isto significa que tais alterações de comportamento não são tão sofridas como se deduziria apenas da leitura muitas vezes alarmista da imprensa e dos fazedores de opinião.
Outro aspecto importante é a forma como os sacrifícios são percepcionados. Por exemplo: fala-se sempre de “cortes nas pensões”, nunca se refere que a maioria esmagadora das pensões não sofreu até hoje nenhum corte pela razão simples de que são demasiado baixas. Outro exemplo: apresenta-se como uma catástrofe social os cortes a partir de 700 euros na administração pública (cortes que também eu lamento profundamente começarem nesse nível salarial), mas esquece-se que metade dos salários no sector privado é inferior a 650 euros, o que significa que esses trabalhadores não se chocam tanto como as elites com os cortes acima dessa fasquia. Mais: até são capazes de achar que assim se repõe alguma equidade.
Como dizia o Herman José, “a vida dos pobrezinhos é um mistério”, e neste país há muito mais rendimentos realmente baixos do que aquilo que a alta classe média imagina. Essa distância ajuda a perceber por que tantos não entendem por que é que o povo ainda não encontrou uma nova Maria da Fonte. Essa distância e a percepção da maioria que, mesmo sendo estes dias difíceis, há alguma coisa que pode perder (o apartamento nos subúrbios, o carro em terceira mão). Ao contrário dos mitológicos proletários de Marx, que só tinham a perder as suas cadeias…
José Manuel Fernandes no jornal Público (22-11-2013)
Se os tempos fossem outros, o “encontro das esquerdas” promovido ontem por Mário Soares na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa teria sido convocado para um espaço bem mais amplo.
Se os tempos fossem outros, a criação de um novo partido que afirma a ambição de federar as esquerdas não teria decorrido numa sala meio vazia de um cinema de Lisboa. Se os tempos fossem outros, os quase 500 dias de protestos e greves no sector público de transportes já teriam desembocado em múltiplas greves gerais capazes de paralisarem o país e não de ficarem quase só pelas empresas e pelos funcionários do Estado.
Mas então por que é que os tempos não são outros? A acreditar nas previsões dos mais avisados políticos e dos mais ponderados senadores, o país devia estar a ferro e fogo. Pessoas aparentemente tão diferentes como Mário Soares – que há mais de um ano escreve sobre “a violência que aí vem” e esta quarta-feira anunciou que “os portugueses não iam ficar parados” – ou Januário Torgal Ferreira – que entendeu que a melhor forma de criticar o Governo era chamar-lhe “profundamente corrupto” – convergem numa mesma inquietação: o povo está muito parado, muito apático. Talvez por isso, como se cantava noutros tempos, o que seja preciso “é agitar a malta”.
Por outro lado, se olharmos para uma banca de jornais ou nos sentarmos para ouvir um telejornal, o rol de desgraças e malfeitorias é tão interminável que se entende a incompreensão de tantos dos nossos opinadores por os tempos não serem outros. Num país onde tudo é sempre apresentado como mais um cataclismo social, custa a entender por que não surgiu ainda uma moderna Carbonária.
Não sei, ninguém sabe, se o nosso país vai conseguir atravessar estes dias difíceis sem episódios com a gravidade de alguns que já ocorreram noutros países. Nunca se está livre de um episódio, que até pode ser isolado – como foram, esta semana, os tiroteios em Paris –, atear tempestades maiores. Mas julgo sinceramente que não é o cenário mais provável. Mais: isso não decorrerá dos nossos míticos “bons costumes”, antes de existir a percepção, mesmo que difusa e poucas vezes assumida, de que houve um tempo de fartura (relativa) que passou e que agora há um tempo de contenção que durará vários anos e vários governos.
Recentemente, a propósito da fraca afluência à que deveria ter sido a terceira grande manifestação do movimento Que Se Lixe a Troika, não faltou quem culpasse o medo pela ausência das esperadas multidões. Mas medo de quê? Medo do Governo? Não faz sentido. Medo de perder o emprego? Mas quem o perderia por desfilar a um sábado, dia de descanso? Medo do futuro? Sem dúvida. Mas não deveria esse medo do futuro convocar ainda mais manifestantes?
Talvez seja esta última interrogação a mais pertinente. Se há medo do futuro, há talvez ainda mais medo das alternativas aos dias que correm. Até pelo que elas omitem. Tomemos um caso desta semana. Mário Soares entendeu que era chegado o momento não apenas de pedir a demissão do Governo, como a saída do Presidente da República. Não faço ideia, e julgo que ninguém fará, como quereria que se gerisse depois o longo interregno, que duraria muitos meses, de incerteza política e caos institucional. Com um primeiro-ministro tecnocrata? Com um Presidente designado pelas Forças Armadas? E quem negociaria com a troika? Os partidos, cada um por si? E seria que o PS devia ficar de fora, para não legitimar nada? E como iria Portugal conseguir os mais de 20 mil milhões de euros de que necessita para financiar o défice de 2014 e pagar os empréstimos que vencem ao longo do próximo ano? Incumpria, declarando bancarrota?
Ao mesmo tempo, o PS, apesar de alguns esforços para formular uma política mais coerente e de algumas tiradas sobre “responsabilidade orçamental”, praticamente só apresentou na Assembleia propostas de alteração ao Orçamento que fariam aumentar o défice de 2014. É simpático, mas não é suficientemente sólido para que António José Seguro seja levado a sério.
Faço parte dos que sentem – dos que sabem – que “não há dinheiro”, mas já não sou dos que defendem que não há alternativa. Alternativas há sempre, é preciso é saber se são melhores. O que me custa ver em Portugal é pouca gente assumir que todas as alternativas têm também os seus custos. Podemos, por exemplo, defender que há cortes nas despesas do Estado que são intoleráveis – mas então devemos também dizer como fazemos crescer as suas receitas, e não vale falar das quimeras do crescimento económico, pois esse quase desapareceu desde a viragem do milénio e não regressará apenas pondo o Estado a gastar mais dinheiro. Depois de ter comprado tantas ilusões durante tantos anos e tantos ciclos eleitorais, o povo quer mais, não se satisfaz apenas com propostas de acabar com a austeridade – porque não acredita nelas.
Mais do que o medo ou a desconfiança face às alternativas, julgo que a razão principal para a “apatia” que tanto inquieta uma parte dos nossos intelectuais está na consciência de que alguma forma de austeridade – ou de contenção e poupança, se preferirmos as palavras que os alemães usam quando se referem a austeridade – fará parte do nosso destino nos próximos anos.
A forma como os portugueses têm vindo a alterar os seus padrões de consumo ajuda-nos a perceber este novo estado de espírito. Um estudo de mercado muito alargado elaborado no final do ano passado indicava, por exemplo, que havia entre os consumidores aquilo a que os especialistas chamaram um novo “frugalismo”. Não se adica apenas do que não se tem dinheiro para comprar, abdica-se do que se pensa que é supérfluo. Isso acontece tanto nas escolhas feitas nas prateleiras de um hipermercado como no recurso a mercados de bens em segunda mão (como nos sites de leilões). E não corresponde apenas a uma alteração de comportamento, corresponde também a uma nova atitude anticonsumista que é verbalizada nas entrevistas. Isto significa que tais alterações de comportamento não são tão sofridas como se deduziria apenas da leitura muitas vezes alarmista da imprensa e dos fazedores de opinião.
Outro aspecto importante é a forma como os sacrifícios são percepcionados. Por exemplo: fala-se sempre de “cortes nas pensões”, nunca se refere que a maioria esmagadora das pensões não sofreu até hoje nenhum corte pela razão simples de que são demasiado baixas. Outro exemplo: apresenta-se como uma catástrofe social os cortes a partir de 700 euros na administração pública (cortes que também eu lamento profundamente começarem nesse nível salarial), mas esquece-se que metade dos salários no sector privado é inferior a 650 euros, o que significa que esses trabalhadores não se chocam tanto como as elites com os cortes acima dessa fasquia. Mais: até são capazes de achar que assim se repõe alguma equidade.
Como dizia o Herman José, “a vida dos pobrezinhos é um mistério”, e neste país há muito mais rendimentos realmente baixos do que aquilo que a alta classe média imagina. Essa distância ajuda a perceber por que tantos não entendem por que é que o povo ainda não encontrou uma nova Maria da Fonte. Essa distância e a percepção da maioria que, mesmo sendo estes dias difíceis, há alguma coisa que pode perder (o apartamento nos subúrbios, o carro em terceira mão). Ao contrário dos mitológicos proletários de Marx, que só tinham a perder as suas cadeias…
José Manuel Fernandes no jornal Público (22-11-2013)
sábado, 16 de novembro de 2013
"TENTO SEMPRE TER POR DIA TRÊS OU QUATRO HORAS NO SÉCULO XIX"
Na Idade Média, ao longo das suas vidas as pessoas tinham acesso, no máximo, a sete ou oito imagens, pinturas ou representações. Por isso, concentravam a sua atenção durante dias, semanas, meses. Vivemos numa época em que, em dois minutos, vemos mais imagens que os nossos antepassados do século XVI na vida toda. O mesmo acontece com as pessoas. Um europeu da Idade Média se calhar conhecia 50 na vida toda, talvez aquilo que nós conhecemos num mês. Isso faz com que haja, hoje em dia, uma velocidade de consumo de imagens e de pessoas. Se uma imagem não nos salva, há milhares de outras. Com muitas excepções, é muito raro uma pessoa estar duas ou mesmo uma hora seguida concentrada num único objecto. Ou seja, há uma geração que tem muitos estímulos. Estou com curiosidade em saber o que vai acontecer em termos artísticos daqui a 10 ou 20 anos.
Por causa da dispersão?
Ninguém imagina Miguel Ângelo a fazer uma pincelada, depois a responder a um e-mail e voltar outra vez à pintura. Os artistas passavam semanas fechados num compartimento, sem falar com ninguém, só saíam para comprar comida, sem largar o seu objecto. Há obras de arte que só podem aparecer se uma pessoa estiver uma, duas, três, quatro, cinco horas em frente delas, sem mudar a sua atenção para outro lado. E este tempo prolongado com o mesmo objecto, concentrado, é qualquer coisa que as tecnologias e o mundo contemporâneo estão a pertrubar.
Gonçalo M. Tavares, in JL- Jornal de Letras, Artes e Ideias, n.º 1125, de 13 a 26 de Novembro de 2013.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
O ranking (Henricartoon)
domingo, 10 de novembro de 2013
Díez Solís reconoce que la enseñanza del portugués es una “prioridad absoluta” en Extremadura
Díez Solís reconoce que la enseñanza del portugués
es una “prioridad absoluta” en Extremadura
17:06 Sab 9 de Nov de 2013 - Educación y Cultura - Educación
El secretario general de Educación, César Díez Solís, ha inaugurado las VII Jornadas de Língua e Cultura Lusófanas, organizadas por la Asociación del Profesorado de Portugués de Extremadura (APPEX), en las que ha reconocido que, por “razones incuestionables”, la enseñanza del portugués representa una “prioridad absoluta” en la política de fomento del plurilingüismo impulsada por la Consejería de Educación y Cultura.
El secretario general de Educación, César Díez Solís, ha inaugurado las VII Jornadas de Língua e Cultura Lusófanas, organizadas por la Asociación del Profesorado de Portugués de Extremadura (APPEX), en las que ha reconocido que, por “razones incuestionables”, la enseñanza del portugués representa una “prioridad absoluta” en la política de fomento del plurilingüismo impulsada por la Consejería de Educación y Cultura.
“Estamos dando pasos importantes para potenciar el portugués”, ha manifestado Díez Solís, “ya no sólo por la cercanía con Portugal”, sino también por la dimensión que está adquiriendo la lengua lusa en el ámbito internacional con la proyección de países emergentes como Brasil, “que tenemos que tener en cuenta”, ha apostillado.
FOMENTO DEL PORTUGUÉS
Seguidamente, el secretario general ha desgranado las principales actuaciones que la Consejería de Educación y Cultura ha puesto en marcha para fomentar el estudio del portugués, “no sólo entre nuestro alumnado, sino también entre la población en general”, destacando las Escuelas Oficiales de Idiomas y las aulas adscritas a éstas, que imparten portugués entre su oferta educativa.
Asimismo, ha destacado la enseñanza del portugués como segundo idioma en Primaria y tercer idioma en Secundaria en centros educativos de la región, y la creación de tres secciones bilingües de portugués. Además, la oferta se extiende con el Programa de Lengua y Cultura Portuguesa, el Instituto de Lenguas Modernas de la Universidad de Extremadura, y la participación activa de los centros educativos en programas con Portugal como el Proyecto REALCE, “que tan buenos resultados ha dado”, ha matizado Díez Solís.
Por otro lado, también ha felicitado al presidente de APPEX, Jacques Songy, por el programa ‘Falamos portugués’ que emite semanalmente Canal Extremadura, dado que supone un “paso más” en la enseñanza de este idioma, a través de divertidos y amenos programas de televisión sobre lengua y cultura portuguesa.
Además, Díez Solís ha anunciado la puesta en marcha de un nuevo portal para el aprendizaje del portugués, denominado ‘Rincón didáctico de Portugués’, que será el “embrión” de un banco de recursos disponibles en la red.
En este sentido, y para que este banco de recursos crezca y se complete, ha pedido la colaboración de los docentes porque “con vuestra experiencia y conocimiento” será un repositorio “fuerte” de contenidos educativos digitales, reconociendo que “nada de esto sería posible sin vuestra colaboración”.
En la inauguración, Díez Solís ha estado acompañado del alcalde de Almendralejo, José García Lobato; la directora del CPR de Almendralejo, Rosa Blázquez Matías; la representante del Camões y del Centro de Língua Portuguesa de Cáceres, Raquel Gafanha; y el presidente de APPEX, Jacques Songy.
(Fonte: Sala de Prensa - Gobierno de Extremadura)
El secretario general de Educación, César Díez Solís, ha inaugurado las VII Jornadas de Língua e Cultura Lusófanas, organizadas por la Asociación del Profesorado de Portugués de Extremadura (APPEX), en las que ha reconocido que, por “razones incuestionables”, la enseñanza del portugués representa una “prioridad absoluta” en la política de fomento del plurilingüismo impulsada por la Consejería de Educación y Cultura.
“Estamos dando pasos importantes para potenciar el portugués”, ha manifestado Díez Solís, “ya no sólo por la cercanía con Portugal”, sino también por la dimensión que está adquiriendo la lengua lusa en el ámbito internacional con la proyección de países emergentes como Brasil, “que tenemos que tener en cuenta”, ha apostillado.
FOMENTO DEL PORTUGUÉS
Seguidamente, el secretario general ha desgranado las principales actuaciones que la Consejería de Educación y Cultura ha puesto en marcha para fomentar el estudio del portugués, “no sólo entre nuestro alumnado, sino también entre la población en general”, destacando las Escuelas Oficiales de Idiomas y las aulas adscritas a éstas, que imparten portugués entre su oferta educativa.
Asimismo, ha destacado la enseñanza del portugués como segundo idioma en Primaria y tercer idioma en Secundaria en centros educativos de la región, y la creación de tres secciones bilingües de portugués. Además, la oferta se extiende con el Programa de Lengua y Cultura Portuguesa, el Instituto de Lenguas Modernas de la Universidad de Extremadura, y la participación activa de los centros educativos en programas con Portugal como el Proyecto REALCE, “que tan buenos resultados ha dado”, ha matizado Díez Solís.
Por otro lado, también ha felicitado al presidente de APPEX, Jacques Songy, por el programa ‘Falamos portugués’ que emite semanalmente Canal Extremadura, dado que supone un “paso más” en la enseñanza de este idioma, a través de divertidos y amenos programas de televisión sobre lengua y cultura portuguesa.
RINCÓN DIDÁCTICO DE PORTUGUÉS
Además, Díez Solís ha anunciado la puesta en marcha de un nuevo portal para el aprendizaje del portugués, denominado ‘Rincón didáctico de Portugués’, que será el “embrión” de un banco de recursos disponibles en la red.
En este sentido, y para que este banco de recursos crezca y se complete, ha pedido la colaboración de los docentes porque “con vuestra experiencia y conocimiento” será un repositorio “fuerte” de contenidos educativos digitales, reconociendo que “nada de esto sería posible sin vuestra colaboración”.
En la inauguración, Díez Solís ha estado acompañado del alcalde de Almendralejo, José García Lobato; la directora del CPR de Almendralejo, Rosa Blázquez Matías; la representante del Camões y del Centro de Língua Portuguesa de Cáceres, Raquel Gafanha; y el presidente de APPEX, Jacques Songy.
(Fonte: Sala de Prensa - Gobierno de Extremadura)
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domingo (Marta Lança)
domingo
Domingo, epicentro de Lisboa, Café Gelo, a ver-se o manuelino da estação de comboios do rossio, leio o jornal onde averiguam do grau de patriotismo dos jovens portugueses, e a crónica da alexandra que lembra como Lisboa se reinventa e as raparigas e rapazes são os mais bonitos do planeta.
Bocejo, e nas colunas do café a melodia... tristeza não tem fim.
Em casa varro o chão da cozinha e lavo a louça, continuamente desalinhadas estas divisões com adultos agitados que, alminhas inquietas, acordam sucessivamente de ressaca e repetem estórias mirabolantes da noite anterior construindo um património universal da boémia.
A chuva vem sedimentando poeiras existenciais e a nostalgia da baixa verte por cima dos telhados.
(mete um certo nojo)
Os turistas atarantados numa páscoa pré-época alta da marroquinização de Lisboa.
Festas trágicas no que trazem de espelho, da família que se já não tem ou mudou e, nisso, acartou incertezas, de como projectar a vida nas próximas décadas, de como não perder a curiosidade, garantir a generosidade para o acontecimento.
Como é bom tê-la pela frente, seja como for que se apresente é o que dela conseguir fazer.
Um longo inverno a ver filmes online no quentinho do sofá.
Porém, não se trata de apatia alguma, andam coisas a vibrar, as pessoas dão ideias, discutem, embebedam-se felizes ou de coração partido, mas celebram alegrias e desencontros juntos, fazem declarações de amor ou de admiração, metem-se em negócios perdulários, julgam-se ideologicamente como bons polícias do quotidiano, mandam-se para o caralho e regressam sem mágoas.
A viagem prossegue, estamos elementarmente a segui-la. E a crescer.
Pudera eu fazer justiça a esta liberdade.
Marta Lança
(Publicado a 24 de abril de 2013 no seu blogue A vida escrita)
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Dois poemas de Drummond no dia dele
Participação da atriz Fernanda Torres no vídeo do Instituto Moreira Salles em homenagem a Carlos Drummond de Andrade.
Há varios anos que no Brasil recordam neste dia Drummond de Andrade, por ele ter nascido no dia 31 de outubro de 1902, é o Dia D, o Dia Drummond.
Há varios anos que no Brasil recordam neste dia Drummond de Andrade, por ele ter nascido no dia 31 de outubro de 1902, é o Dia D, o Dia Drummond.
NECROLÓGIO DOS DESILUDIDOS DO AMOR
Os desiludidos do amor
estão desfechando tiros no peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os jornais.
Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.
Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas nos veremos
seja no claro céu ou turvo inferno.
Os médicos estão fazendo a autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles possuíam.
Vísceras imensas, tripas sentimentais
e um estômago cheio de poesia...
Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados competentemente
(paixões de primeira e de segunda classe).
Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem amor.
Única fortuna, os seus dentes de ouro
não servirão de lastro financeiro
e cobertos de terra perderão o brilho
enquanto as amadas dançarão um samba
bravo, violento, sobre a tumba deles.
Do livro Brejo das almas, Belo Horizonte, 1934
POEMA DE SETE FACES
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Do seu primeiro livro, Alguma poesia (1930)
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
VII Jornadas da APPEX - Dia 9 de novembro em Almendralejo
No próximo dia 9 de novembro, celebram-se em Almendralejo (Badajoz) as VII Jornadas de Língua e Cultura Lusófonas, que decorrerão no Centro Cívico dessa vila.
Eis o programa:
SÁBADO, 9 de novembro de 2013
9:30h – Receção dos participantes e entrega da documentação.
10:00h – Inauguração das Jornadas.
10:30h – Paco López – Plataformas online para as aulas de Português na Extremadura
12:00h – Intervalo para café.
12:30h – Conferência Jacques Songy – Os diferentes sotaques brasileiros.
13:30h – Materiais didáticos com recursos brasileiros.
14:00h – Almoço convívio.
17:00h – Workshop – Amazonas: a capoeira Brasileira
19:00h – Encerramento e apresentação de conclusões. Assembleia da APPEX.
A Jornada será certificada pelo CPR de Almendralejo pelo que a Direção da APPEX sugere que os interessados se inscrevam online na página do CPR. Aqueles que não se inscreverem pelo CPR, podem fazê-lo pela APPEX, enviando a ficha de inscrição em baixo para appex.dir[arroba]gmail.com
Eis o programa:
SÁBADO, 9 de novembro de 2013
9:30h – Receção dos participantes e entrega da documentação.
10:00h – Inauguração das Jornadas.
10:30h – Paco López – Plataformas online para as aulas de Português na Extremadura
12:00h – Intervalo para café.
12:30h – Conferência Jacques Songy – Os diferentes sotaques brasileiros.
13:30h – Materiais didáticos com recursos brasileiros.
14:00h – Almoço convívio.
17:00h – Workshop – Amazonas: a capoeira Brasileira
19:00h – Encerramento e apresentação de conclusões. Assembleia da APPEX.
A Jornada será certificada pelo CPR de Almendralejo pelo que a Direção da APPEX sugere que os interessados se inscrevam online na página do CPR. Aqueles que não se inscreverem pelo CPR, podem fazê-lo pela APPEX, enviando a ficha de inscrição em baixo para appex.dir[arroba]gmail.com
VII JORNADAS
DE LENGUA PORTUGUESA Y CULTURA LUSÓFONA
DE LÍNGUA PORTUGUESA E CULTURA LUSÓFONA
Sábado, 9 de noviembre / novembro de 2013
FICHA DE INSCRIPCIÓN / FICHA DE INSCRIÇÃO
Nombre y apellidos / Nome e apelidos: ___________________________________
_________________________________________________________________
Dirección / Endereço: _____________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
Teléfono / Telefone: _____________ E-mail: ______________________________
Profesión / Profissão: ________________________________________________
□ Asistiré a la comida* / Assistirei ao almoço*
* El precio de la comida se pagará en el momento de la entrega de la documentación. / O preço do almoço será pago no momento da entrega da documentação. (12€ - precio / preço estimado)
Cumplimentar y enviar a / Preencher e enviar a appex.dir[arroba]gmail.com
DE LENGUA PORTUGUESA Y CULTURA LUSÓFONA
DE LÍNGUA PORTUGUESA E CULTURA LUSÓFONA
Sábado, 9 de noviembre / novembro de 2013
FICHA DE INSCRIPCIÓN / FICHA DE INSCRIÇÃO
Nombre y apellidos / Nome e apelidos: ___________________________________
_________________________________________________________________
Dirección / Endereço: _____________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
Teléfono / Telefone: _____________ E-mail: ______________________________
Profesión / Profissão: ________________________________________________
□ Asistiré a la comida* / Assistirei ao almoço*
* El precio de la comida se pagará en el momento de la entrega de la documentación. / O preço do almoço será pago no momento da entrega da documentação. (12€ - precio / preço estimado)
Cumplimentar y enviar a / Preencher e enviar a appex.dir[arroba]gmail.com
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Duas mensagens do blogue 'Espírito de contradição'
Como é terrível, por vezes, o humor negro! Achámos isto no blogue Espírito de contradição. Também o breve texto em baixo. Foi publicado em abril, mas tanto faz, e se calhar até serve para a nossa Espanha...
Este país não é para ninguém
Posted on 11 de Abril de 2013 por Joaquim Ribeiro
Em tempo de crise é incrível a “chico-espertice” de alguns portugueses. Aproveitando a elevada taxa de desemprego, algumas empresas propõem contratar jovens sem qualquer salário em troca. Será que não percebem que trabalhar sem receber é pior do que não trabalhar? Será que não entendem que a malta não quer emprego para estar ocupada, mas sim porque precisa de dinheiro para viver?
Blogue Espírito de contradição
domingo, 29 de setembro de 2013
António Manuel Couto Viana e Álvaro de Campos
CAFÉ DE SUBÚRBIO (24)
Ao chegar hoje à esquina das manhãs do olhar,
Vejo o café fechado,
Sem uma cruz piedosa a anunciar
Que morreu traspassado.
Renasce em snack-bar?
Em sucursal de banco? Ou em supermercado?
Onde esgotar, agora, as preguiças do dia?
Onde achar nova asa a expandir-se no voo?
Onde dar de beber à poesia
Mais decifrável do que sou?
O Álvaro de Campos certamente diria:
– Desde hoje o subúrbio mudou!
António Manuel Couto Viana
(1923 – 2010)
As escadas não têm degraus, nº4
(Cotovia, 1991)
Cruz na porta da tabacaria!
Cruz na porta da tabacaria!
Quem morreu? O próprio Alves? Dou
Ao diabo o bem-estar que trazia.
Desde ontem a cidade mudou.
Quem era? Ora, era quem eu via.
Todos os dias o via. Estou
Agora sem essa monotonia.
Desde ontem a cidade mudou.
Ele era o dono da tabacaria.
Um ponto de referência de quem sou
Eu passava ali de noite e de dia.
Desde ontem a cidade mudou.
Meu coração tem pouca alegria,
E isto diz que é morte aquilo onde estou.
Horror fechado da tabacaria!
Desde ontem a cidade mudou.
Mas ao menos a ele alguém o via,
Ele era fixo, eu, o que vou,
Se morrer, não falto, e ninguém diria.
Desde ontem a cidade mudou.
(14-10-1930)
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