terça-feira, 31 de julho de 2007

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Avante 2007


7, 8, 9 de Setembro, mais do que política, a festa é cultura e utopia e não um mero festival de Verão! Boas férias!

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Ovos moles

Alguns professores de português na Extremadura aprendem a maneira de fazer os famosos ovos moles de Aveiro e experimentam.

Semana das culturas lusófonas em Cáceres


Na fotografia podem ver alguns dos professores de português que estiveram na Semana das Culturas lusófonas em Cáceres organizada pelo Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões e o CPR de Cáceres

quinta-feira, 5 de julho de 2007

A tradução


É fado dos bilingues estarem sempre a ser convidados para traduzir de uma língua para a outra. Costumam recusar - e não é por preguiça. É por causa de uma lei da tradução que é tão injusta como agonizante: a chamada Penalização Espertalhona. Para democratizar o conhecimento e proteger a ignorância, esta penalização aplica-se proporcionalmente: quanto mais bem se conhece uma língua, mais difícil é traduzi-la. Temos assim que me esmifro todo para traduzir um pequeno poema de inglês para português, mas vingo-me nas línguas que mais violentamente desconheço (o hebraico e o japonês, por exemplo), que traduzo lindamente, com o maior dos desplantes e disparates. Na tradução, saber é não poder e poder é não saber. Quando se sabe é tão dolorosa a consciência do que se perde - e, mais grave ainda, do que se acrescenta - que mais vale estar quieto. Se cada língua já é difícil para ela própria (e, no caso da literatura que vale a pena, consegue erguer-se por tirar partido dessas dificuldades) fazer falar uma através de outra é uma trabalheira destrutiva e angustiante. O corolário dessa fatalidade é óbvio: quanto mais bem escrito numa língua, mais mal escrito terá de ficar na outra. Quanto mais se estiver a dizer, menos se dirá. E quanto menos, mais. A Penalização Espertalhona não perdoa. A bem ver, só deveríamos traduzir maus livros e coisas que já na língua original não tinham ambição nem importância. Quanto melhor conhecemos uma língua, mais as traduções dela são insuportáveis. Quando é para ler, não faz mal porque se lê no original. Mas quando é para escrever, é o estar-se sempre a ler no original que nos parece música e faz sofrer com a macacada da língua segunda. A tradução é uma conveniência: existe porque não conhecemos outras línguas. É filha da ignorância e vive dela. Há que reconhecê-lo e engoli-lo. Paciência. O pior que se pode fazer é confortar e celebrar essa ignorância através das anedotas do costume, a começar pelas tais traduções que «até são melhores do que o original». São exactamente como os espumantes portugueses muito específicos que são melhores do que o «Champagne» muito em geral. Bebem-se mas não se comparam.

Miguel Esteves Cardoso