terça-feira, 13 de novembro de 2007

Saudade


"Não se pode explicar a palavra 'saudade' em seu sentido lusitano, sem remontar-se à mentalidade linguística portuguesa (...). Um português não precisa explicá-la; já nasce com ela, leva-a dentro de si. Conhece-a com o coração, não com a cabeça. Assim acontece com a 'brasilidade' (...). Existem elementos da língua que não são captados pela razão; para eles são necessárias outras antenas."


Guimarães Rosa in "Cadernos de Literatura Brasileira" - Vols. 20 & 21


Fotografia de Sérgio Bade, tirada da página, assim como o texto de Guimarães Rosa, de José Antônio Du Carvalho no Flickr.


1 comentário:

Luís Leal Pinto disse...

A saudade é algo que pouca gente sabe explicar (para mim que a explica melhor é Teixeira de Pascoaes), eu muito menos...
Há quem fale, não de nostalgia, mas sim, de saudades do futuro, de um porvir, de um "quinto império" luso (será que não tivemos já colonialismo suficiente?), eu apenas creio que, se isso de saudade é mesmo genético, manifesta-se no amor que temos ao que nos rodeia, seja em que sítio for... ou como diz a canção dos "trovante": "Há sempre alguém que nos diz tem cuidado, há sempre alguém que nos faz pensar um pouco, há sempre alguém que nos faz falta...ai, saudade".
No entanto, identifico-me mais com uma canção dos "delfins", a "Marcha dos Desalinhados":
"Eu não quero ficar parado
fico velho
vou marchar até ao fim
isolado

Nesta marcha solitária
dou o corpo ao avançar
neste campo aberto ao céu

Ninguém sabe
para onde eu vou
ninguém manda
em quem eu sou
sem cor nem deus nem fado
eu estou desalinhado

Por tudo o que lutei
ser sincero
por tanto que arrisquei
ainda espero

Esta marcha imaginária
quantas baixas vai deixar
neste sonho desperto?"

Será que a saudade é o motor de Portugal, ou o calcanhar de Aquiles que não o deixa avançar?