
Manuel António Pina nasceu em Sabugal (Beira Alta) em 1943. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra. Jornalista, entre 1971 e 2001, do Jornal de Notícias, onde foi Editor e Chefe de Redacção. Colaboração em numerosos outros órgãos de Comunicação Social: República, Diário de Lisboa, o Jornal, Expresso, JL/ Jornal de Letras, Artes e Ideias, Marie Claire, Visão, Rádio Porto, RTP, Península (Barcelona)... Foi professor da Escola Superior de Jornalismo do Porto e membro do Conselho de Imprensa. É actualmente colunista da revista Visão. É autor, entre outras, de mais de três dezenas de obras de poesia, crónica, ensaio e literatura infantil e ainda de duas dezenas de peças de teatro. Obras suas foram levadas ao cinema, TV e BD, bem como musicadas e editadas em disco. A sua poesia encontra-se traduzida em francês, inglês, dinamarquês, espanhol, galego, alemão, catalão, neerlandês, búlgaro, servo-croata e corso; e a sua obra infanto-juvenil em dinamarquês, alemão, espanhol e galego.
Na biblioteca
O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre
demasiadamente tarde,
quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,
em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,
as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.
Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre
demasiadamente tarde,
quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,
em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,
as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.
Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.
Agora É
Agora é diferente
Tenho o teu nome o teu cheiro
A minha roupa de repente
ficou com o teu cheiro
Agora estamos misturados
No meio de nós já não cabe o amor
Já não arranjamos
lugar para o amor
Já não arranjamos vagar
para o amor agora
isto vai devagar
isto agora demora
1 comentário:
Conheço a sua coluna e muito pouco da sua obra, no entanto já li uma entrevista sua e fiquei curioso acerca do seu trabalho e filosofia de vida. De certeza, uma excelente iniciativa em Badajoz.
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