terça-feira, 20 de junho de 2006

Solidariedade Laboral

O mundo laboral é um excelente reflexo de relações humanas, inclusivamente culturais, creio que já lá vai o tempo do aforismo "de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento", que se note o apoio da congénere espanhola da Opel aos seus colegas trabalhadores portugueses! Uma atitude digna de nota e de coragem que do outro lado da fronteira raramente se tem. Abdicamos facilmente dos nossos direitos e da nossa dignidade. Será que esta solidariedade poderia ser reciproca?

"Os trabalhadores da fábrica da Opel da Azambuja cumprem hoje greves de duas horas por turno, luta que conta com a solidariedade dos operários das fábricas de Saragoça (Espanha) e Russelsheim (Alemanha), disse à agência Lusa fonte sindical.

Luís Figueiredo, coordenador da comissão sindical da unidade da General Motors Europa (GME) da Azambuja, disse à Lusa que o primeiro turno de greve decorreu entre as 04:00 e as 06:00, com paralisação total dos turnos de manutenção e rotativos, tendo-se iniciado às 09:30 uma greve de uma hora dos turnos A e C.

O turno A volta a paralisar entre as 13:00 e as 14:00, seguindo-se nova paralisação do turno C e do turno B entre as 15:00 e as 16:00, voltando este a paralisar entre as 17:20 e as 18:20, disse.

Segundo Luís Figueiredo, os trabalhadores das fábricas da GME de Saragoça e Russelsheim realizam também hoje paralisações de duas horas por turno em solidariedade com os trabalhadores da fábrica da Azambuja, cuja perspectiva de encerramento foi confirmada há perto de uma semana pela administração da empresa.

Os representantes dos trabalhadores foram recebidos sexta-feira ao princípio da noite pelo ministro da Economia, Manuel Pinho, que assegurou que o Governo tudo fará para manter a fábrica em Portugal, disse.

Na quarta-feira da semana passada, os trabalhadores receberam um mail da administração da GME dando conta da intenção de transferir o fabrico do Combo da Azambuja para a fábrica de Saragoça, sem contudo adiantar qualquer data.

A decisão não foi entretanto formalizada, porque o governo português pediu um prazo de cinco semanas para tentar negociar com a administração da GM, disse Luís Figueiredo, adiantando que os próprios trabalhadores estão a «estudar várias propostas» que não quis especificar.

A ideia de fabricar as componentes do Combo que actualmente vêm de Saragoça na fábrica da Autoeuropa em Palmela, lançada sexta-feira pelos representantes dos trabalhadores desta unidade da Volkswagen, vai ser formalmente apresentada à administração da empresa de Palmela, que no entanto já se mostrou contra a hipótese, adiantou Luís Figueiredo.

Quinta-feira, representantes dos trabalhadores vão ser recebidos por parlamentares europeus e membros da Comissão Europeia, estando agendadas para o mesmo dia, na Azambuja, reuniões com as euro-deputadas Jamila Madeira (PS) e Ilda Figueiredo (PCP), afirmou.

Para sexta-feira estão marcados novos plenários de trabalhadores para serem decididas novas acções de luta, adiantou."


Diário Digital / Lusa

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