terça-feira, 7 de junho de 2016

Raduan Nassar, Prémio Camões 2016

Fotografia: Paulo Pinto


Raduan Nassar: o Prémio Camões que abandonou a literatura

Sem comentários, o brasileiro e ex-escritor Raduan Nassar recebeu a notícia de que lhe fora atribuído o grande troféu da língua portuguesa, o Prémio Camões. A chamada de Portugal encontrou-o em casa, na fazenda de Lagoa do Sino, a três horas de carro de São Paulo. Ali, onde seria errado dizer que se retirou, tem vivido nas últimas três décadas, dedicado à agricultura. O prémio que reclama a consagração de toda uma obra literária apanhou-o de surpresa. Recusou-se uma vez mais a dar entrevistas, como tem feito desde que se desinteressou da literatura, mas ainda revelou o seu espanto a um jornalista do Folha de S. Paulo: «Eu não entendi esse prémio, minha obra é um livro e meio!». E ficou por isso, rindo-se.

Continuou a repetir o mesmo a amigos e aos jornalistas... «Mas uma obra tão minguada...» E é. Um romance e uma novela – Lavoura Arcaica (1975) e Um Copo de Cólera (1978) –, para lá disso só um pequeno volume de contos, Menina a Caminho (1997), reunido já longos anos após ter virado as costas à literatura. Depois há um ensaio que até hoje permanece inédito em português, ‘A Corrente do Esforço Humano’, publicado na Alemanha em 1987, e, na mesma situação, um conto isolado ‘O Velho’, que fez parte de uma antologia francesa (Des Nouvelles du Brésil) publicada em 1998.

Só lendo as não muitas mas certamente bastantes páginas que este brasileiro de origem libanesa, hoje com 80 anos, deixou para se entender como não foi preciso mais para fazer dele um nome incontornável da nossa literatura. Entre as várias vozes que saudaram a escolha de Raduan Nassar, o escritor brasileiro Milton Hatoum – também de ascendência libanesa, e que recebeu a bênção do outro quando começou a publicar – talvez seja quem mais possa ter a dizer, uma vez que é em grande medida o mais notável dos herdeiros da influência literária daquele autor culto. «Foi um prémio merecido por sua obra plena e poderosa», disse Hatoum, lembrando que o mexicano Juan Rulfo também só publicou um romance e um livro de contos – Pedro Páramo e A Planície em Chamas, tendo sido publicado já postumamente a novela O Galo de Ouro (1980) – o que não o impediu de deixar um legado que transformou a paisagem literária sul-americana, sendo atribuída às suas pouco mais de 300 páginas um papel fundador do chamado realismo mágico. (...)


A notícia completa no semanário Sol (4-6-2016)


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É assim que começa a obra prima de Nassuar, Lavoura arcaica:


Os olhos no teto, a nudez dentro do quarto; róseo, azul ou violáceo, o quarto é inviolável; o quarto é individual, é um mundo, quarto catedral, onde, nos intervalos da angústia, se colhe, de um áspero caule, na palma da mão, a rosa branca do desespero, pois entre os objetos que o quarto consagra estão primeiro os objetos do corpo; eu estava deitado no assoalho do meu quarto, numa velha pensão interiorana, quando meu irmão chegou pra me levar de volta; minha mão, pouco antes dinâmica e em dura disciplina, percorria vagarosa a pele molhada do meu corpo, as pontas dos meus dedos tocavam cheias de veneno a penugem incipiente do meu peito ainda quente; minha cabeça rolava entorpecida enquanto meus cabelos se deslocavam em grossas ondas sobre a curva úmida da fronte; deitei uma das faces contra o chão, mas meus olhos pouco apreenderam, sequer perderam a imobilidade ante o vôo fugaz dos cílios; o ruído das batidas na porta vinha macio, aconchegava-se despojado de sentido, o floco de paina insinuava-se entre as curvas sinuosas da orelha onde por instantes adormecia; e o ruído se repetindo, sempre macio e manso, não me perturbava a doce embriaguez, nem minha sonolência, nem o disperso e esparso torvelinho sem acolhimento; (...)






Mais um trecho desta obra, no blogue Um Reino Maravilhoso.




domingo, 17 de abril de 2016

Iª IMERSÃO LINGUÍSTICO-CULTURAL DA APPEX

Poderia redigir aqui um longo testamento sobre a agradável sensação de “fim-de-semana-perfeito” com a qual voltámos de Arronches, depois desta nossa Iª Imersão Linguístico-cultural da APPEX.

Uma iniciativa lançada por primeira vez pela Associação e preparada por e para todos os sócios que mantêm este projeto de amor pelo ensino do português vivo na Extremadura já lá vão uns quantos anos.

Mas para não tornar este artigo maçador! Deixemos que o decorrer das atividades, representado pelas fotografias que vos deixarei, falem por si!


Depois de uma estressante viagem numa intensa e chuvosa manhã de sábado, um passeio pela vila…
E depois, de volta ao Hotel Rural Santo António - o qual, diga-se de passagem ofereceu-nos todas as condições para um fim de semana perfeito - momento imperial... O relax era a palavra de ordem, claro!

Um perfeito almoço com muita conversa, risadas e boa disposição para continuar com um Workshop de sabão caseiro oferecido pelo hotel em colaboração com o Museu de Sabão de Belver.


À noite, um serão de diversão, à volta do português, de Portugal e da sua cultura com jogos como "Conhecer Portugal" e "Pictionary". Bom humor e diversão! Que nunca faltem!

Finalmente, depois de uma noite de sono e de descanso... sobretudo para aqueles que foram dormir mais cedo... creio que eram poucos... Vamos à Esperança, ao Centro de Interpetação da Identidade Local de Esperança...


Uma visita às pinturas rupestres...



Aacbámos a manhã com uma relaxante sessão de Ioga com a professora Lula da Newmove de Évora. A foto diz muito mas o link do vídeo vale a pena! Cheira a zen, a paz, e a queremos mais um dia desses!


É, o que é bom dura pouco!!! Mas temos a certeza de que todos queremos mais e que isso são favas contadas!

Despedida do hotel, da boa vida e acabou-se o que era doce! 


Esperemos que mais colegas se juntem para o ano! Uma boa semana a todos e NAMASTE!



domingo, 13 de março de 2016

@ nossa LÍNGUA





Países diferentes irmanados pela língua. Múltiplas perspectivas, nos países de Língua Portuguesa, convergindo no Instagram e compondo um painel da lusitanidade, em galeria virtual, em livro, em exposição e em documentário


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Língua materna vs Língua madrasta (Blogue Bianda)



 Língua materna vs Língua madrasta

Não haverá desenvolvimento verdadeiro sem o desenvolvimento da língua materna, ponto! Exercício diário, vulgo TPC (Trabalho Para Casa) que desde a minha infância são meros cumprimentos de obrigação, em vez de serem entusiasmantes prolongamentos dos ensinamentos nas aulas. E continua. Sempre me angustiou essas questões. Como uma filha a crescer rapidamente, para além da angústia vem-me a revolta. Vejam só este enunciado:

 "Ao número anterior, adiciona uma unidade ao algarismo das dezenas e de seguida subtrai um unidade ao algarismo das unidades. Ao número obtido, faz a soma dos dois algarismos. O que verificas?"

Agora adivinhem de que ano escolar estamos a falar...A 3ª classe, o ano em que a minha filha de 7 anos frequenta! E como ela lida com isso? Mal, claro! Porquê? Por causa da língua, caraças!! Como descascamos esse ananás? É assim: antes de resolver o exercício de matemática, sento-me com ela a resolver o problema da língua. Pergunto-lhe, percebeste o que o texto quer dizer? Não. Então vamos por partes, lê um pedaço de frase de cada vez e explica ao papá em crioulo o que quer dizer. Assim, continua. Agora lê a frase toda e liga as ideias. Consegues agora perceber a frase? Sim! Ótimo. Pronto, agora que percebeste a frase, vamos lá resolver o problema da matemática. Qual é o algarismo das unidades? Boa! E qual é o das dezenas? Continua, agora adiciona-os. Pronto!

Esta novelinha acontece com todas as disciplinas, inclusive a disciplina de Língua Portuguesa. Raciocinar na língua materna e fazer a tradução, no sentido de compreender e no sentido de escrever o resultado. Agora ponho a questão: e os milhares de meninos que sequer têm uma família coesa, quanto mais pais pacientes e com um pouco de metodologia para desembrulhar essa complicação do sistema? Pois, produzir meninos estúpidos ao 12º está plenamente explicado. 


Publicado originalmente no blogue Bianda (8.10.2012)




domingo, 31 de janeiro de 2016

O vestido (Adélia Prado)




O VESTIDO

No armário do meu quarto
escondo de tempo e traça meu vestido
estampado em fundo preto.

É de seda macia desenhada em campânulas
vermelhas à ponta de longas hastes delicadas.
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito,
meu vestido de amante.

Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.
É só tocá-lo, volatiza-se a memória guardada:
eu estou no cinema e deixo que segurem minha mão.
De tempo e traça meu vestido me guarda.

Adélia Prado





terça-feira, 1 de dezembro de 2015

33 (Luís Leal)



Poesia de Luís Leal em português e em espanhol, e tem mais... Dia 19 de dezembro lá por terras da Raia. Uma apresentação bem completa, como podem ver.





sábado, 21 de novembro de 2015

Uma notícia sobre os "retornados" 40 anos depois

Fotografia dos contentores dos "retornados" feita em 1975 pelo fotojornalista Alfredo Cunha


O “retorno” foi há 40 anos mas volta a ser agora

Vanessa Rato

20/11/2015

Nos anos 1970, os caixotes de madeira dos “retornados” subiam alto junto ao Padrão dos Descobrimentos. Agora, no mesmo local, uma fotografia reactiva o passado. Há muito trabalho a fazer na digestão de um dos maiores traumas nacionais


A 25 de Julho de 1977 o jornal O Dia publicava um pequeno anúncio de canto de página emitido pelo IARN. O Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais fazia saber que nos armazéns da Standard Eléctrica, em Lisboa, se encontrava por reclamar bagagem chegada das antigas colónias ao longo dos anos de 1975 e 1976.

“Ficam os respectivos proprietários avisados de que devem proceder ao seu levantamento, com a maior brevidade possível, chamando-se a atenção para o facto de que a longa permanência dos volumes em armazém poderá ocasionar a sua danificação e deterioração, pelas quais o IARN não pode responsabilizar-se”, lê-se no aviso.

Quem abandonaria os seus poucos bens ao longo de mais de dois anos? Na maioria dos casos, provavelmente, nacionais a viver em hotéis, pensões, quartos em casa de familiares e amigos, em camaratas de colónias de férias e parques de campismo.

Eram aos milhares os que dois anos volvidos sobre o êxodo dos antigos territórios ultramarinos não tinham conseguido começar a reconstruir as suas vidas, mergulhados no desenraizamento e precaridade simbolizados pelas centenas de contentores de madeira deixados a apodrecer à chuva junto ao Padrão dos Descobrimentos.

Mobílias e electrodomésticos, livros, roupas, loiças, brinquedos, fotografias de família – vidas inteiras: as torres de caixotes abandonados e alguns esventrados e pilhados no porto de Lisboa tornaram-se na imagem emblema do chamado “retorno” que a partir do 25 de Abril de 1974 fez entrar em Portugal mais de meio milhão de nacionais até ali residentes em África. É a imagem invocada pela intervenção que Retornar – Traços da Memória tem agora no mesmo local junto ao rio – uma série de contentores com uma grande fotografia ampliada tirada ali mesmo, em 1975, pelo fotojornalista Alfredo Cunha.

Iniciativa da EGEAC, a empresa de equipamentos e animação cultural de Lisboa, Retornar é um evento transdisciplinar com actividades a decorrer ao longo dos próximos quatro meses. A intervenção junto ao Padrão dos Descobrimentos faz parte da exposição com que, dentro desse programa, a EGEAC inaugura uma nova galeria municipal – a Galeria Avenida da Índia (no número 170, em Belém).

O aviso publicado no jornal O Dia é um entre muitos recortes de imprensa que, nessa exposição documental, ajudam a compor o complexo puzzle da narrativa social por detrás de um dos maiores traumas nacionais.

Comissariada pela antropóloga Elsa Peralta, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, a mostra formaliza parte do trabalho desta investigadora sobre a representação do Portugal pós-colonial e a constituição de uma pós-colonialidade a partir da década de 1980, no quadro europeu. Dentro da investigação geral para a exposição, a investigação de media – em centenas de notícias de jornais nacionais e das antigas colónias – foi feita por um dos doutorando do instituto, Bruno Góis.

É a secção através da qual mais facilmente acedemos hoje à psicologia colectiva da época – à forma como os diversos acontecimentos sociopolíticos foram integrados no discurso público e, através dele, na opinião pública.

“Uma das preocupações era tentar perceber como tantas pessoas diferentes nunca tinham pensado que acabariam por ter de voltar”, explica o investigador. Refere-se à precipitação da Ponte Aérea que nos breves meses do Verão Quente de 1975 terá feito aterrar em Portugal mais de 200 mil pessoas em cerca de 900 voos de emergência. A maior parte não trazendo nada ou muito pouco da sua vida anterior.

Através de testemunhos directos, sabe-se como em Angola e Moçambique, por exemplo, a maior parte dos residentes ultramarinos urbanos viviam, em grande medida, alheios à guerra em volta, acontecimentos das distantes províncias interiores que a vastidão territorial, na maior parte dos casos, transformava em ecos minorados ou distorcidos. Grande parte dessa faixa populacional não estava também especialmente informada sobre a realidade política metropolitana e acreditava na possibilidade de uma transição de regime, tanto na metrópole como nas colónias. Por outro lado, através da documentação oficial, sabe-se também como a deslocação dessas populações para Lisboa era desincentivada e em muitos casos dificultada pelo Governo. De acordo com a investigação feita para Retornar a comunicação social contribuía para essa névoa.

(...)

A notícia completa no jornal Público


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

"Cheiro a Café" - João Afonso

IX Jornada de Língua e Cultura Lusófonas: O Ensino da Oralidade

Olá amigos,

O meu colega já pôs aqui o cartaz da nossa jornada da APPEX deste ano... Ponho-vo-lo novamente, anexando também o programa. Recordo que aqueles que são professores também podem inscrever-se através da página do CPR de Plasencia. Contamos com a vossa presença!

Aqui vai o link do CPR de Plasencia:

IX Jornada de Língua e Cultura Lusófonas: O Ensino da Oralidade





sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Morrer em Zanzibar (João Afonso)



Poderemos escutar canções como estas no próximo dia 25 em Badajoz! João Afonso na nossa cidade.



MORRER EM ZANZIBAR

As histórias que contavas lá da aldeia
a bola no telhado da vizinha
o branco no amarelo da eira
e a calça sem bainha

A varanda e a calça sem bainha
a semana
na baía a pesca à linha
a vizinha, o que querias da montanha

Que pensamento querias da montanha
fugiste um dia p´ra Kilimanjaro
seria o jeito sábio dum cocoana
a falar sob um céu claro
a marimba, a falar sob um céu claro
a madeira, de pau preto um aparo
a montanha
vou de boleia em boleia

Agora vou de boleia em boleia
agora vou voltar a ser menino
parar, ouvir silêncios sobre a areia
visitar-te em S. Francisco

Sobre a areia, visitar-te em S. Francisco
lua cheia
a subir tudo o que lembro
a gavinha, numa noite de Dezembro

Deixaste o sol na praia de Inhambane
no cais da ponte o dia do vapor
amigos que p´ra longe a pátria bane
num retrato de esplendor

Ventoinha, num retrato de esplendor
cazuarina, quinino saga e calor
a cantina
com o sabor, o leitor
e fico com o sabor das leituras
percorro a vossa esteira pelo mar
com um baú de histórias de aventuras
vou morrer em Zanzibar





quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Novembro! (Miguel Esteves Cardoso)



Novembro!

É Novembro. Vá à janela. Espante-se. Novembro é o mês das belezas inesperadas. Ensina-nos a inesperar: a deixarmos de andar de acordo com os nossos preconceitos.

Herberto Helder nasceu em Novembro em 1930 e começou um poema com o mês de Novembro. Novembro confunde. É um mês que não regula bem do céu. É levado da breca. Vá à janela: surpreenda-se. Não é só não custar nada: custa muito despedirmo-nos dele. Aproveite enquanto puder.

Outubro foi o primeiro mês só de Outono. Nota-se pelas letras que partilham. Mas Novembro é o mês em que o Outono é levado a sério, como o último mês bonito do ano.

Novembro é o mês das castanhas, das amêndoas e das nozes. Apareceram antes - tal como o Outono, ridiculamente nos finados de Setembro - mas só em Novembro é que fazem sentido. É o mês de assá-las, abri-las e comê-las.

Se quisermos que esteja frio, está frio. Se quisermos que chova, chove. Mas nunca - nem de longe - é Inverno. Novembro é tão avariado da pinha que permite falar-se, sem fazer disparar metralhadoras de risos, no "verão de São Martinho".

Novembro é o mês quente de mais para a água-pé, que todos os alcoólicos regular e tipicamente denunciam, dado o baixo teor de álcool da mistela, como não sendo digna de atenção.

Novembro é o Junho da segunda metade do ano. É um prazer e o princípio de uma liberdade condicional de 7 semanas, antes de começar, 4 dias antes do dia de Natal, a única estação do ano que é verdadeiramente insuportável: o Inverno.

Miguel Esteves Cardoso


Publicado no diário Público (3-11-2015)

sábado, 31 de outubro de 2015

Hoje é o Dia D (de Drummond, claro)



Viva Drummond de Andrade! Leiamos Drummond:





POEMA DA NECESSIDADE

É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades,
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbedo,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o FIM DO MUNDO.
 
Carlos Drummond de Andrade 










sábado, 17 de outubro de 2015

Expressões típicas alentejanas

*


Expressões típicas alentejanas

Terra de tradições e cultura, o Alentejo possui ainda expressões muito curiosas. Conheça algumas das expressões típicas alentejanas.

Todo o bom alentejano “abala” para um sítio qualquer, que normalmente é já ali. O ser já ali é uma forma de dizer que não é muito longe, mas claro que qualquer aldeia perto, aqui no Alentejo, está no mínimo a cerca de 30km. Só um alentejano sabe ser alentejano!

Um alentejano “amanha” as suas coisas, não as arranja, um alentejano tem “cargas de fezes”, não tem problemas, um alentejano vai “à do ou à da…” não vai a casa de…, um alentejano “inteira-se das coisas”, não fica a saber… No Alentejo não há aldrabões, há “pantomineiros”, e aqui também não se brinca, “manga-se”.

No Alentejo não se deita nada fora, “aventa-se” qualquer coisa e comem-se “ervilhanas” ou “alcagoitas” (amendoins) e “malacuecos” (farturas). Os alentejanos não espreitam nada nem ninguém, apenas se “assomam”… E quando se “assomam”, muitas vezes podem mesmo ter dores nos “artelhos” (tornozelos)!

As coisas velhas são “caliqueiras” e muitas vezes viaja-se de “furgonete” (carrinha de caixa aberta), algo que pode deixar as pessoas “alvoreadas” (desassossegadas).

Quando algo não corre bem é uma “moideira” (chatice) e ficamos “derramados” (aborrecidos) com a situação, levando muitas vezes a que as pessoas acabem por “garrear” (discutir) umas com as outras e a fazerem grandes “descabeches” (alaridos).

“Ainda-bem-não” (regulamente) as pessoas têm que puxar pela “mona” (cabeça) para se desenrascarem quando muitas vezes a solução dos seus problemas está mesmo “escarrapachada” (bem visível) à sua frente.

Não estou “repeso” (arrependido) de ter escrito esta pequena crónica, com vista a lembrar detalhes do património oral que nos é tão próximo e muitas vezes de “bradar” aos céus. “Dei fé” (pesquisei) a algumas expressões e tentei não vos criar, a vós leitores, uma grande “moenga”, apenas quero que guardem algumas destas expressões na vossa “alembradura” (lembrança)!


(Fonte: Ruralea))



terça-feira, 29 de setembro de 2015

Tu e eu (Luís Fernando Veríssimo)

Caricatura do autor feita por Gilmar Fraga


Poesia com humor pela mão de Luís Fernando Veríssimo (Porto Alegre, 1936)


Tu e eu

Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
Eu não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa
Eu, calipto.

Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobo
eu sou mais albônico.
Tu, fão.
Eu, fônico.

És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu, piniquim.
Eu, ropeu.

Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu, multo.
Eu, carístico.

És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu, cano.
Eu, clidiano.

Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu, tano.
Eu, femismo.





sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Morreu o editor Vítor Silva Tvares



Morreu Vitor Silva Tavares, um editor radical

Kathleen Gomes e Lucinda Canelas
21/09/2015 - 13:27


Vitor Silva Tavares, fundador da &etc, era um dos mais originais editores portugueses. Morreu aos 78 anos.

Vitor Silva Tavares, 78 anos, morreu nesta segunda-feira de manhã no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde tinha sido internado uma semana antes devido a uma infecção cardíaca. A família pretende fazer uma cerimónia privada e prefere não divulgar publicamente informações sobre a mesma.

Os livros ficam, o editor desaparece. Era fácil ficar horas a ouvir Vitor Silva Tavares porque já ninguém fala como ele, um português de língua afiada e refinada, elegante e pé-descalço (ele diria: “do melhor Gil Vicente”), algo que partilhava com o amigo João César Monteiro, tanto quanto a magreza e o espírito libertário. Em 2014, quando o PÚBLICO falou com ele a propósito da edição da obra escrita de César Monteiro, Vitor Silva Tavares confessou que a morte do cineasta, em 2003, deixara um vazio que não tinha sido preenchido. Silva Tavares referia-se a um vazio pessoal, naturalmente, mas também estava implícito um vazio colectivo. O mesmo acontece agora, com a morte de Silva Tavares, um dos mais originais e radicais editores portugueses. É toda uma geração, de resistência cultural e política, que tem os dias contados.

“Perdemos o último dos resistentes, o pai de gerações e gerações de poetas. Há muita gente que lhe vai sentir a falta. Mesmo muita”, diz Paulo da Costa Domingos, poeta e editor da Frenesi, que se cruzou com Vitor Silva Tavares no início da década de 1970, quando o editor o publicou pela primeira vez, ainda na revista &etc que viria a converter-se na lendária editora com o mesmo nome.

Em 1974, ainda antes do 25 de Abril, Vitor Silva Tavares criou a &etc, uma pequena editora independente que se distingue, até hoje, pelo formato quadrado dos seus livros, pelo seu catálogo de autores e títulos raros e marginais e por se manter praticamente inalterável ao longo de mais de 40 anos de existência, apesar das transformações do negócio editorial. Sempre recusou a ideia de publicar livros para fazer lucro. Entre os autores publicados pela &etc contam-se Herberto Helder (Cobra, 1977), Alberto Pimenta, João César Monteiro, Antonin Artaud, Adília Lopes, Henri Michaux, Sade, Robert Walser, entre muitos outros.

(...)

A notícia completa, com links e tudo, no diário Público.



Vítor Silva Tavares na Wikipédia


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

"Deve-se ler pouco e reler muito"



"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos." 

 Nelson Rodrigues


Nelson Rodrigues (Recife, 1912 — Rio de Janeiro, 1980)




terça-feira, 9 de junho de 2015

Sobrinha-bisneta de Pessoa apresenta peça que explora multilinguismo europeu



É uma notícia de setembro do ano passado, mas cá deixo...


Teatro Nacional do Luxemburgo

Sobrinha-bisneta de Pessoa apresenta peça que explora multilinguismo europeu

A encenadora Tatjana Pessoa, sobrinha-bisneta de Fernando Pessoa, apresenta esta terça-feira no Teatro Nacional do Luxemburgo uma peça sobre o multilinguismo na Europa, um projecto financiado por um programa europeu que apoia a criação teatral.

(Publicado em Luxemburgo Wort a 30 de setembro de 2014)


Falada em dez línguas, incluindo português, a peça "Whatsafterbabel" explora várias vertentes da "Babel europeia e do multilinguismo europeu", como a questão da identidade, da comunicação e da "exclusão que nasce da incompreensão", disse ao CONTACTO a autora e encenadora, que tem nacionalidade belga e portuguesa.

No texto de apresentação da peça, a autora e fundadora da companhia de teatro belga "Collectif Novae" recorda a frase "a minha pátria é a língua portuguesa", da autoria de Fernando Pessoa, seu tio-bisavô, considerando-a um "testemunho de lealdade ao idioma e não ao país", uma ideia com que se identifica e que desenvolve na peça.

Nascida em Bruxelas em 1981, filha de mãe portuguesa e pai suíço, Tatjana Pessoa, que fala cinco idiomas e já viveu em países como a Alemanha, Burkina Faso e Costa do Marfim, admite que "a noção de pátria não tem significado" para si, considerando "naturais" o multilinguismo e a pertença a vários países.

"Eu não me defino por um país ou por uma pátria, e as perguntas 'de onde vens' ou 'qual é a tua nacionalidade' são questões que para alguns de nós, na Europa, deixaram de ter significado", defende a dramaturga portuguesa.


Texto completo no link.







domingo, 31 de maio de 2015

Pessoa e Badajoz

São poucos os que associam a figura de Fernando Pessoa a Espanha e à sua literatura, no entanto a vida do autor dos heterónimos esteve pontuada por encontros e desencontros com a nação irmã e com alguns dos seus escritores.
Oitenta anos após a morte de Pessoa, e no centenário da publicação da revista Orpheu, o reconhecido professor da Universidade de Évora, escritor, poeta e tradutor, Antonio Sáez Delgado, apresenta o seu mais recente livro em espanhol, dedicado a esta breve mas interessante relação, “Pessoa y España”.
Esta iniciativa realizar-se-á no dia 9 de junho, pelas 20:00, na Diputación de Badajoz, e contará com apresentação de Luís Leal Pinto, docente de língua e literatura portuguesa no IES Rodríguez Moñino da cidade pacense.
Nas palavras de Antonio Sáez Delgado, tradutor de inúmeros autores portugueses para espanhol, como Fernando Pessoa, António Lobo Antunes, Manuel António Pina, José Luís Peixoto, entre outros, “encontramo-nos perante um dos momentos mais apaixonantes da história literária no contexto ibérico”.

sábado, 30 de maio de 2015

Projecto alemão acusado de copiar imagem do Porto



Projecto alemão acusado de copiar imagem do Porto
Raquel Bastos
29/05/2015 - 16:57

A polémica que envolve o suposto plágio iniciou-se nas redes sociais mas a câmara do Porto diz que não vai tomar medidas.

Muitas foram as críticas que, nesta quinta-feira, foram feitas ao eventual plágio à marca Porto. por um projecto gráfico feito por um gabinete de design de Berlim. Ao projecto, designado Fair Kietz, que se destina à promoção do turismo e de negócios no bairro Friedrichshain-Kreuzberg da capital alemã, estão ligadas várias instituições públicas da cidade.

Desde a cor ao ponto final, são nítidas e incontornáveis as semelhanças que existem entre a imagem gráfica feita pelo 3BKE, gabinete alemão responsável pelo trabalho polémico, e a marca Porto., apresentada em Setembro de 2014, e que tem recebido vários prémios internacionais.

A imagem do projecto de Berlim acusada de ser uma cópia da marca da Invicta foi apresentada em Março deste ano, começou a circular este mês e, após o início das críticas, nesta quinta-feira, as suas páginas da Internet e do Facebook foram encerradas.

Algumas da primeiras críticas apontavam, até, para que tivesse sido o Porto a copiar Berlim, o que se revelou falso. Ao PÚBLICO Eduardo Aires, designer do White Studio, um dos principais responsáveis pelo projecto do Porto., lamenta “que se tenha instalado, inicialmente, uma mesquinhez até entre pares.”

“Antes de se averiguar os factos e de onde vinham as notícias, acusou-se o trabalho português”, refere. O responsável pela imagem gráfica da marca afirma que o trabalho alemão é, de facto, uma colagem, não havendo apenas uma apropriação gráfica mas, também, do conceito. “Sinto-me lisonjeado com a situação mas, acima de tudo, acredito na verdade e na honestidade intelectual do meu trabalho."

A Câmara do Porto teve conhecimento da polémica envolvendo o trabalho iconográfico alemão através das várias denúncias nas redes sociais. Ao PÚBLICO Nuno Santos, assessor de comunicação da CMP, referiu que não está a ser equacionada qualquer medida quanto a esta situação. “É necessário relativizar estas coisas. Se a CMP decidisse tomar alguma acção seria por via diplomática, directamente com o município de Berlim”, disse. Nuno Santos apontou que grandes similaridades no mundo do design acontecem algumas vezes, mas que neste caso “não havia apenas similitudes”. “Não é um conceito apenas similar é, obviamente, um plágio”, afirmou.



Uma notícia do diário Público 





segunda-feira, 18 de maio de 2015

Espanha (Valter Hugo Mãe)

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Espanha

Impressiona-me a morte diurna das cidades espanholas. A quietude solene da tarde ao sol. Como se o calor fosse uma visita do próprio fogo, afugentando, ameaçando tudo. Abandonam-se as ruas aos turistas, acordados como gente enjeitada, contemplando a pedra das casas fechadas, guardiões da solidão. Ficamos como gente em sonho. Há uma suspensão de todas as coisas, como se levitássemos ou fôssemos de mentira.

Impressiona-me que o tempo do dia possa ser de ausência numa cidade. Uma cidade que não está completa. É e não é o seu lugar. Adia-se.
v Chego a Plasencia à hora em que tudo se adia. Não há ninguém e até o senhor na recepção do hotel tem os olhos pesados como se fossem para não ver. Digo as coisas duas vezes para ter a certeza de ser entendido, de ser atendido. Falar duas vezes é parecido a falar sozinho. Subo ao quarto enclausurado. Não quero esconder-me. Quero sair.

Plasencia é uma pequena cidade de belíssimo centro histórico que, por força dos horários e do feriado, não terei como visitar senão enquanto pardo bicho medindo paredes exteriores e cantos de rua.

Ainda pude perguntar a que horas abririam as portas todas. Talvez às cinco, talvez cinco e meia, algumas já só depois do feriado, depois do fim-de-semana. Horário de Verão, acabam-se as tardes de trabalho para muita gente. O calor desertifica. Encontro um casal de ingleses que se sentam diante da catedral estupefactos. Lamentamos babelicamente a sesta espanhola. Fotografamos a quietude e sorrimos com pena de nós mesmos. Sentimo-nos esquisitos.

Foi a senhora inglesa quem se rebelou e disse que seguramente aquilo animaria para o entardecer. Haveria de ser bonito de se ver. Eu, que ia para falar na feira do livro local, quis acreditar nisso até para me sentir motivado. Deambulei um pouco mais, meti-me na Plaza Mayor, os cafés abriam para os raros forasteiros, pedi um gelado caseiro de caramelo, divino, que me fez uma companhia quase falante, quase amante, e esperei.

A ressurreição da cidade é um sangue que acode por todas as ruas. Um fluxo crescente de cor e sorrisos, o ruído aumentando, sempre falando uma oitava acima numa alegria espanhola que os portugueses têm dificuldade de entender. A feira do livro abre às seis. A praça fica apinhada. Sinto uma vontade grande de cumprimentar quem vem. Regozijo com a existência de todas as pessoas. O casal inglês apareceu igualmente maravilhado. A senhora comentava que os plasentinos estiveram sempre ali. Talvez nos perscrutassem por detrás das janelas de portadas fechadas. Talvez nos escolhessem para uma resistência maior. A verdade é que nos recebem lindamente.

Ainda me sentei num banco ao centro da praça, a medir a sombra, com um livro da Periferica. A capa vermelha estava como ser fremente nas minhas mãos. Lia e escutava o ruído, algumas crianças atropelavam-se nos meus pés, faziam festa. Lia e escutava o ruído. A cidade recomeçara melhor do que antes.

Têm dois dias cada dia espanhol. Um para a sagração da manhã, outro para o levantamento da noite. É tão democrática a noite, tão cheia de conversas e risos, que nos parece esperto que hajam inventado este modo de cortar o tempo. Afinal, não é de abandono nenhum que se trata. É antes uma forma de retemperar para o regozijo, um certo gesto de alegria que se garante para o convívio. Com a voz invariavelmente uma oitava acima, com ganas. Não entramos nos monumentos mas sabemos bem que a monumentalidade dos lugares, se existir, vem do povo. O monumental povo espanhol, o monumental povo plasentino, ofusca a fronte alta da sua catedral. A pedra é morena porque disfarça assim o embaraço.

Já o sabia há muito. Viajamos sempre pela razão das pessoas. Amamos os lugares pela razão das pessoas.

Valter Hugo Mãe



Diário Público / Ípsilon (10-5-2015)






domingo, 26 de abril de 2015

Blogue "The Delagoa Bay World"

A Baixa de Lourenço Marques, anos 1960. No topo a Fazenda. À direita, pode-se ver parte da Fortaleza. Em primeiro plano a sede do BNU e ao lado a Casa Coimbra. Mais acima a esquina entre as Avenidas da República (agora 25 de Setembro) e Dom Luiz (agora Samora Machel). 



Dei por acaso com este blogue, The Delagoa Bay World, e embora a última mensagem publicada seja de 27 de abril de 2014, acho interessante mergulhar nele. De que é que trata? Eis as palavras do autor:


SOBRE ESTE BLOGUE

O The Delagoa Bay World é um de três blogues que vou mantendo, buscando reunir imagens e informações que permitam a quem tenha interesse, poder ver imagens e conhecer melhor a realidade actual e passada de Moçambique. Sendo um blogue de assinatura, é um trabalho que reflecte décadas de interesse pessoal nos tópicos abordados, criado para partilhar esse interesse com quem o visite.

Os outros dois blogues são o The Delagoa Bay Company, sobre desporto em Moçambique (de momento muito enfocado no período antes da Independência de Moçambique, mas sem essa restrição) e o The Delagay Bay Blog, um blogue mais diversificado de comentário da actualidade moçambicana, portuguesa e mundial.

Todos os seus conteúdos podem ser partilhados, mediante consulta do seu índice, ou através de um motor de pesquisa, pedindo apenas que seja referenciada a sua origem para maior precisão, e podem ser comentados directamente. O contacto directo é bcaluanda@gmail.com

No seu conjunto, são uma modesta homenagem ao país onde nasci e cresci e a um povo que aprendi a respeitar e cujo destino sempre acompanhei com interesse.

António Botelho de Melo





Rita Hayworth no aeroporto do Lumbo, na Ilha de Moçambique




quinta-feira, 23 de abril de 2015

Cinemateca celebra 25 de abril com exibição de filmes censurados



Cinemateca celebra 25 de abril com exibição de filmes censurados


Comédias, melodramas e produções dos Estúdios Disney estão entre os filmes censurados pela ditadura em Portugal, que a Cinemateca exibe por inteiro para assinalar o 25 de abril, num ciclo que também revela os cortes a que foram sujeitos.

No próximo sábado, 25 de abril, numa sessão destinada aos mais pequenos, a Cinemateca Júnior exibe “A Dama e o Vagabundo”, de Clyde Geronimi e Wilfrred Jackson, um “clássico da animação” dos Estúdios Disney, de 1955. Nesta sessão, que se inicia às 10h00, no Palácio Foz, serão apresentados os cortes feitos pela Comissão de Censura, para a estreia do filme em Portugal, a 28 de setembro de 1955.

A partir das 12h00, a Cinemateca Portuguesa, na rua Barata Salgueiro, apresenta “Capitães de Abril”, filme realizado pela atriz, cineasta e cantora portuguesa Maria de Medeiros, na passagem dos 25 anos do 25 de Abril, que retrata as 24 horas que antecederam e acompanham o golpe militar, que pôs fim à ditadura salazarista.

A programação do próximo sábado acompanha o ciclo “Censura: os Cortes e os Filmes”, que a Cinemateca tem em curso, dedicado a alguns dos filmes que foram “vítimas do lápis azul”, durante a ditadura do Estado Novo.

Até ao próximo dia 30, a Cinemateca exibe ainda “Rocco e seus irmãos”, de Luchino Visconti, “Duas horas na vida de uma mulher”, de Agnés Varda, “Nós, mulheres”, de Gianni Franciolini, Roberto Rossellini, Luchino Visconti, Luigi Zampa e Alfredo Guarini, “Um rei em Nova Iorque”, de Charles Chaplin, e ainda “Uma mulher estranha”, de Edgar G. Ulmer.

Em cada sessão, em complemento dos filmes, são apresentados os cortes efetuados pela comissão de censura.

Este ciclo iniciou-se no passado dia 01 de abril e já apresentou filmes como “Pinóquio”, de Ben Sharpsteen e Hamilton Luske, ou “Cem anos de amor”, de Lionello de Felice, também eles visados e censurados durante a ditadura.

Os filmes “refletem alguns dos temas objeto de proibição e alguns dos condicionalismos e particularidades do processo de censura ao cinema”, que determinaram a sua aprovação, mas com cortes, como destaca a Cinemateca em comunicado.

A posição face ao nazismo alemão, em “Esta terra é minha”, de Jean Renoir, estreado em 1943, mas apenas exibido em Portugal dez anos mais tarde, ou ao comunismo, em “Um Rei em Nova Iorque”, de Charles Chaplin, assim como as questões morais presentes em “Um Mulher Estranha” e “Rocco e seus Irmãos”, foram determinantes para os cortes efetuados nestes filmes.

A Cinemateca esclarece que este ciclo não inclui obras “cuja exibição foi proibida até à revolução”, concentrando-se num conjunto de produções estrangeiras que, “tendo estreado antes de abril de 1974″, foram sujeitas “a prévias amputações”.


(Movenotícias)


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Morreu hoje Manoel de Oliveira



Morreu Manoel de Oliveira. Como queria, filmou até ao fim

Sérgio C. Andrade
02/04/2015 - 13:08

Em 2010, num artigo para o PÚBLICO, em "defesa do cinema português", escreveu que pensava nas condições cada vez mais difíceis dessa coisa de fazer filmes em Portugal. Que pensava nos seus colegas.

"Eles, como eu, sempre viveram na precariedade e na insegurança, sem reforma nem subsídio de desemprego, e sem nunca sabermos se não estaremos a fazer o nosso último filme. Eles, como eu, só temos um desejo: todos ambicionamos morrer a fazer filmes." Morreu esta manhã o realizador Manoel de Oliveira. Tinha 106 anos. Morreu em casa, soube o PÚBLICO junto de fonte próxima da família.

Quando, jovem de 20 anos, começou a frequentar os meios do cinema, este dava ainda os primeiros passos como nova forma de expressão artística, mesmo se com a energia inovadora da narrativa de um David W. Griffith, do expressionismo alemão de um Wilhelm F. Murnau, ou do realismo soviético de um Sergei M. Eisenstein. Em 1928, matriculou-se na Escola de Actores de Cinema fundada no Porto pelo realizador italiano Rino Lupo, e faz uma pequena figuração no seu filme Fátima Milagrosa. Era o hobby de um jovem dandy, que por esses anos se entretinha também a praticar atletismo e a desafiar a gravidade no trapézio do Teatro-Circo Carlos Alberto.


A notícia completa no Público




quinta-feira, 19 de março de 2015

José Luís Peixoto presenta en Badajoz su última novela "Galveias"



José Luís Peixoto presenta en Badajoz su última novela "Galveias"

El próximo día 24 de Marzo, a las 11:30, en la Biblioteca Pública de Badajoz


El próximo día 24 de Marzo, a las 11:30, vendrá a la Biblioteca Pública de Badajoz José Luís Peixoto, un escritor portugués y uno de los nombres más destacados de la literatura contemporánea a hablar sobre su obra y, aprovechando el evento, presentar su última novela "Galveias".


Panorama-Extremadura







segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

(Ótima) Educação sentimental



EDUCAÇÃO SENTIMENTAL

Filho: Pai, o que quer dizer obsessão?

Pai: Eh pá, é assim tipo quando um gajo gosta bué duma gaja.


(Escutado numa livraria aqui perto.)



Lido no blogue antologia do esquecimento