sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Mais Jorge de Sena



...DE PASSAREM AVES


À memória de Sá de Miranda


Das aves passam as sombras
um momento no chão, perto de mim.
No tardo Verão que as trouxe e as demora,
por que beirais não sei
onde se abrigam piando
como ao passar chilreiam.

Um momento só. Rápidas voam!
E a vida em que regressam de outras terras
não é tão rápida: fiquei olhando
as sombras não, mas a memória delas,
das sombras não, mas de passarem aves.

3 comentários:

Anónimo disse...

Sabe mesmo bem encontrar e descobrir poemas como este numa tarde cinzenta de Fevereiro. Só mesmo Jorge de Sena...
Pedro, obrigado por partilhares poesia connosco!

José Ignacio

Nieves disse...

Bom dia!
Sou Nieves, aluna da EOI de Almendralejo, só queria dizer que gosto muito de ler poesia e sempre dou uma olhadela para este blog. É uma porta aberta para um mundo de beleza. Obrigada.

Pedro Luis disse...

Obrigado, Nieves,
Fico contente de "encontrar" pessoas que gostem de ler poesia. Não é assim tão frequente. A poesia continuará a cair neste blogue, como a chuva destes dias.