sábado, 6 de janeiro de 2007

De Zamora a Oporto en piragua (18 a 31 de julio de 1947)



En julio de 1947, seis jóvenes socios de la organización sindical “Educación y Descanso” recorrieron el Duero en piragua desde Zamora hasta su desembocadura en Oporto. Nunca encontré nada en Internet sobre ello, y aprovechando unas fotocopias de unos periódicos portugueses que guardaba mi padre —uno de aquellos seis “remadores espanhóis”—, hago aquí una transcripción resumida.

En el vehículo de apoyo que seguía a los piragüistas iba, entre otros, Luis Cortés Vázquez, zamorano “adoptivo” y de pura cepa, que en 1963 se convertiría en el primer catedrático de francés de la primera Facultad de Filología de Lenguas Modernas creada en España, en Salamanca. En el almoço regional ofrecido a todo el equipo al final del viaje, “Encantou toda a gente, pelo seu espírito e pela sua cultura, o estudante da Universidade de Salamanca, Luis Cortés y Vasquez, um humanista brilhante, que conhece a fundo a literatura portuguesa, recitando, completos, os cânticos dos «Lusiadas»”.

Habrá lectores, tanto portugueses como españoles, a los que le suene conocida una parte del lenguaje utilizado, pues también tenemos en común haber padecido una larga dictadura.

Los recortes son de los periódicos O Primeiro de Janeiro, O Comércio do Porto y Jornal de Notícias.

DE TERRAS DE ESPANHA A PRAIAS DE PORTUGAL…

Chegaram ontem seis remadores espanhóis, vindos da cidade de Zamora através da via fluvial do Douro

De terras de Espanha a praias de Portugal.

Cerca de 400 quilómetros percorridos em 18 dias – vencendo todos os obstáculos, encarando com firmeza os imponderáveis de uma viagem acidentada.

Da cidade espanhola de Zamora à Foz do Douro, conduzindo três frágeis «pirogas», seis jovens remadores – dois em cada – trouxeram-nos uma saudação de amizade da nação vizinha como símbolo da fraternidade que nos une, a nós, peninsulares!

Chegaram ao cair da tarde, com o sol a preparar-se já no horizonte, distante. Dorsos tisnados pelo sol – sorriso franco de quem lutou e soube vencer, os desportistas espanhóis tiveram entusiástica recepção.

Estava concluída a tarefa a que se haviam proposto. O mar, ali a duas braçadas, foi para eles, nesse instante, o desencanto da «bela adormecida»… Todas as dificuldades, todas as vicissitudes passadas, já não eram mais do que gratas recordações de uma luta gloriosa. Dezoito dias e dezoito noites, as águas do Douro – constantes no seu cantar, ora arrogantes, ora meigas – pareciam escarnecer do seu ánimo forte e do esplendor da sua juventude.

As três «pirogas» foram conduzidas a «duo» pelos seguintes remadores espanhóis: Pedro Ladoire – chefe da caravana –; Héctor de la Peña, António Felipe, Fidel Cuadrado, António Pascual e Luiz Angel Garcia, todos associados do organismo patriótico «Educación y Descanso».

Sairam da cidade de Zamora no dia 13, pelas onze horas da manhã, onde tiveram entusiástica despedida por parte dos desportistas locais, que em grande número se juntaram na «Ponte de Pedra», ponto de embarque.

A primeira etapa foi de 40 quilómetros – até junto da foz do Esla, afluente do Douro em Espanha. Percurso sem dificuldades de maior e vencido sem grandes sacrifícios. Depois, nova etapa de 40 quilómetros, mas esta violentíssima – e tanto, que ao passarem na povoação de Villalcampo uma das embarcações se voltou de maneira a oferecer sérios riscos aos seus ocupantes: António Felipe e Luiz Angel Garcia.

Mas os maiores obstáculos ainda estavam por vencer – e surgiram, temerários, nos 120 quilómetros do «Douro internacional» – até que no dia 28, com quinze dias de viagem alcançaram a fronteira portuguesa, junto à Barca d’Alva. Ontem, depois de paragem na Régua e em Entre-os-Rios, os remadores chegaram à Cantareira [às 18 horas e 40 minutos], concluindo com brilhante êxito a sua arrojada empresa.

Tras relatar la calurosa acogida por parte de numerosas autoridades, el periodista cuenta que los deportistas españoles se dirigieron al Gobierno Civil y al Consulado de España “onde foram apresentar cumprimentos. Hoje, na «Pousada do Galo», é-lhes oferecido um almoço regional pelo chefe de distrito".


3 comentários:

Cristina disse...

Me encanta y emociona ver en internet lo que en su día fue un proeza realizada por los jóvenes zamoranos entre los que se encontraba mi padre.
Gracias Pedro por este regalo.

Luís Leal Pinto disse...

Que aventura fantástica!!! Eis uma história fantástica que merece ser divulgada! Obrigado Pedro, vou guardar este post!

Anónimo disse...

Esto sí que fué una aventura, ahí es nada, en el 47, y sin GPS...
Que envídia...

jc