segunda-feira, 13 de novembro de 2006

“Meu deus como amo a espanha este país toda esta gente”



Quien esto escribió se llamaba Ruy Belo y tuvo un paso demasiado fugaz sobre la tierra: 48 años.

El mar de la fotografía es el de la playa de la Consolação, en Peniche, que tanto significó para él.

En 1972, en la segunda edición de su primer libro, Aquele Grande Rio Eufrates (1961), Ruy Belo añadió una “Explicação indispensável”, que concluía aludiendo a una reseña de esta obra hecha por Gastão Cruz en “Crítica”, jornal que, não sei bem como me veio ter às mãos aqui a Madrid, uma das cidades do mundo mais distantes de Lisboa. Tremendas palabras y, sin embargo, suyo es el verso que encabeza esta entrada.

En efecto, Ruy Belo fue lector de portugués en la capital de España entre 1971 y 1977, y en esta ciudad escribió una buena parte de su obra. En un número apreciable de poemas encontramos la presencia de España o referencias a la literatura española; así, entre otros: “Primeiro poema de madrid”, “Madrid revisited”, “No aeroporto de Barajas”; su libro Toda a Terra se divide en dos partes: Areias de Portugal y Terras de Espanha”, y en esta última se hallan “Encontro de Garcilaso de la Vega com Dona Isabel Freire, em Granada, no ano de 1526” y “Ao regressar episodicamente a Espanha em Agosto de 1534 Garcilaso de la Vega tem conhecimento da morte de Dona Isabel Freire”.

En su inteligente posfacio a la edición de la Obra Poética de Ruy Belo (Editorial Presença), Joaquim Manuel Magalhães escribe:

"Tendo partido para Madrid em 1973 (sic), essa cidade castelhana irá tornar-se um dos centros dominantes da sua vivência, porventura só ultrapassado pela força exercida pela Praia da Consolação. Em Castela, a sua compreensão de Portugal amplia-se, ao mesmo tempo que se aprofunda a sua ligação a Espanha."

Y hay más palabras interesantes de Magalhães. Y los versos de Ruy Belo.

(Si alguien se extraña por el uso de alguna minúscula, así quedo escrito)


A MEDIDA DE ESPANHA

Tenho mudado de cidade algumas vezes
e o meu pasado é todo esquecimento
A noite chega precedida pela sombra
e é sempre em vão que repudio a noite
Eu morro qualquer dia e pouco sei da vida
É perigosa a vida a simples vida
a vida a simples vida é violenta
Mas quando a primavera em cabelo chega
sinto-me invulnerável e começo
É formidável março quando se aproxima
a prometer no passo um integral verão
Sou todo deste tempo e são meus estes dias
Eu nada sou mas o verão existe
Canta meu coração
Esta é a medida de espanha
ó vida minha vida estranha

1 comentário:

Luís Leal Pinto disse...

Muito interessante! Não conheço bem a obra de Ruy Belo! Fiquei bastante curioso! Excelente sugestão para o marasmo destes meus dias!