
Esta personagem, dotada de um queixo proeminente, apesar de ter histórias vocacionadas para um público infantil, tem um contexto subliminar de análise cultural brilhante e hilariante! Não é de estranhar que, a par de D. Fonsarilho, existam personagens como Santa Pança (o "sidekick" à maneira do "Cavaleiro da Triste Figura"), D. Tesa, Leonardo do Vício (inventor português, homem de ciência, que via na emigração a única forma de vingar na sua área do saber - onde é que eu já vi ou ouvi isto?) ou um espião galego coxo e apaixonado.
Esta forma de brincar com a história, de a transmitir com humor, é sempre uma mais-valia em termos pedagógicos e humanos. Felizmente consegui, num alfarrabista ambulante, comprar por "tuta-e-meia" a colecção que tanto marcou a minha infância e que na altura só podia aceder na rubrica, em contexto de sala de aula, "Biblioteca de Turma". A minha professora da primária, D. Mª de Lurdes Varandas, irmã do célebre cantor Francisco José (imortalizado com "Olhos Castanhos" e "Nem às Paredes Confesso") encontrava nesta estratégia um meio eficaz para incentivar os seus alunos à leitura e abordar a história de Portugal, à maneira do Estado Novo, de forma a me deixar sempre boquiaberto e a imaginar contextos heróicos, que afinal nada tinham a ver com a realidade... mas mesmo assim lhe agradeço a capacidade que me deu para sonhar com história e lendas.
Deixo-vos com umas digitalizações do volume "O Cavaleiro da Bolota Azeda" e com uma sinopse das características das personagens… espero que se divirtam!
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