quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Carlos Drummond de Andrade - poeta modernista brasileiro.

Olá a todos desse blog. Recebi com muita satisfação o convite para colaborar com essa maravilhosa iniciativa, mais um meio de difusão do português em Extremadura. Me apresentando, me chamo Jorge, tenho 23 anos e sou professor de português e de espanhol aqui em São Paulo, cidade onde vivo aqui no Brasil. Para começar a minha participação, envio a vocês um dos meus poemas preferidos, escrito por Carlos Drummond de Andrade, grande poeta moderno e contemporâneo de nosso país, já falecido. Posteriormente posso publicar mais informações sobre ele, assim como a sua bibliografia. Por ora, para não ocupar muito espaço, publicarei o poema "E agora, José?". Espero que gostem. Um abraço!

E agora, José?

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?

E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?

6 comentários:

Paula disse...

Un poema hermoso, que contiene en su aparente sencillez formal todo el profundo dolor del ser humano esencial, desnudo, que contempla como en un espejo al ser humano social que lo ha representado y no se conoce en él. Gracias, Jorge, por este regalo.

Luis Gaspar disse...

Obrigado pelo link para o Estúdio Raposa.
Não sei se já deu como ele mas o poema que transcreve do Carlos Drummond de Andrade está sonorizado no Estúdio Raposa em "Palavras de Ouro 03".
E parabéns pelo seu bloque!
Um abraço do
Luis Gaspar

Lusofilia - Lusofolia - Lusomania disse...

O prazer e o privilégio foi nosso. Muito obrigado por ter visitado o nosso blogue, que fica mais rico cada dia com contributos como o seu.

Anónimo disse...

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