segunda-feira, 31 de março de 2008

sábado, 29 de março de 2008

Mário Dionísio e as formas de tratamento


O seguinte excerto pertence a um livro de Mário Dionísio, O Meu Reino (Se o Tivesse) por Um Cavalo de Pau (Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1986).

Andei tantos anos lá por fora! Foram tantos, na verdade, que quase me esqueci de alguns usos e costumes da terra onde nasci, a minha pátria.


Com efeito! Os franceses governam-se com um tu e um vous, um Monsieur, um Madame, um Mademoiselle e já está. No dia-a-dia, digo eu. Os povos de língua inglesa (esses então!) resolvem tudo com um bendito you. Ou pouco mais. Até os espanhóis, tão dados ao saracoteio, além do tu, se ficam normalmente por um bom e expressivo usted, como um remate de frenéticas castanholas: chega bem. Só nós - pobres de nós!, ruminando ou escoicinhando, salvo seja, nesta terrinha esguia entre a Europa e o mar -, nos agarramos a uma ensarilhada gama de fórmulas obsoletas, ou que as­sim me parecem, no nosso convívio diário. Gama tão subtil e caprichosa que nem sempre nós pró­prios sabemos qual escolher. Será preciso dizer mais? Além do «tu», que é da ordem natural das coisas, há o «vós» (o solene e untuoso «vós»: pensastes, quiserdes, julgaríeis), já quase morto, o coitado, mas ainda estrebuchando com vigor, o «vocemecê» ou «vomecê», o agora universal «você», ainda não há muito recebido à patada: «Você é estrebaria!»


E o «Senhor», o «Senhora», o «Menina», o «Dona», o «Senhora Dona», o «Vossa Excelência» ou «Vocelência» ou «Vossência», o «Excelentíssimo Senhor », o «Excelentíssima Senhora». E, ainda, o «Excelentíssima Senhora Dona», o «Ilustríssimo Senhor», o «Vossa Senhoria». Estará a lista completa? O «Senhora», «Senhora Dona» ou só «Dona» já me puseram, e por mais de uma vez, em situações embaraçosas. Que sempre corrigi a tempo por uma espécie de intuição que só posso atribuir a profundas ligações de consaguinidade. A vendedeira de hortaliça do mercado onde cá em casa se abastecem normalmente é a senhora Josefa. Claro. Não a D. Josefa. E nunca por nunca ser senhora D. Josefa. A proprietária da lojeca onde compro os jornais e os cigarros, já não poderei eu tratá-la por senhora Margarida (incorrecção das grandes), mas por D. Margarida, prova de distinção, ainda que modesta. Um est modus in rebus. Longe, portanto, de senhora Margarida, mas também de se­nhora D. Margarida, tratamento a que ela não tem de aspirar. E a sua vizinha do lado, esposa dum funcionário das Finanças ou lá que é, só legitima­mente pode ser senhora D. Catarina. Não trabalha. Só D. Catarina implicaria excessiva ou menor consideração. E senhora Catarina, nem brincando. Isso era grosseria de se levar com a porta na cara.


Toda a gente me diz que nos últimos anos (de algo terá servido o 25 de Abril) está em curso uma certa evolução. Muito lenta, claro está. Nisto, como em tudo, um sonolento arrastar de caracol. [ ... ]


E o «doutor», meu Deus! Esse banal e tão por­tuguês «senhor doutor»? Essa leitura da abrevia­tura por contracção («dr.») do grau de licenciado, que meio país continua a cobiçar? Quem não quer ser «doutor», ainda que só «dr.» - vantagens do código oral sobre o código escrito? Quem não fará tudo para isso, os pais empenhando o que têm e não têm, os filhos estudando, claro, ou inventando mil processos de irem fa­zendo cadeiras e mais cadeiras, até obterem o sagrado diploma que da jus ao desejado tratamento? Porque —isto me espanta mais que tudo—, no país de que estive ausente tanto tempo mas é o meu país (a gente pode andar lá por fora a vida inteira mas não quer outra pátria), tal título continua a proporcionar benesses que o simples “senhor” nunca deu nem dará. A pesar —é notável!— da abundância já inflaionária daqueles que o usam. Facilita coisas, abre portas, encurta ou alarga prazos. [...]


quinta-feira, 27 de março de 2008

Valter Hugo Mãe en Cáceres


El poeta Luso Valter Hugo Mãe interviene hoy jueves 27 de marzo en el AULA VALVERDE. Organizado por la Asociación de Escritores Extremeños y con el patrocinio del Gabinete de Iniciativas Transfronterizas.


Este libro es un tsunami, no en el sentido destructivo sino en el de su fuerza", ha escrito José Saramago de El arrepentimiento de Baltasar Serapio , la novela que ganó el pasado año el premio que lleva el nombre del Nobel portugués. Su autor, Valter Hugo Mãe, participa hoy en el Aula José María Valverde de Cáceres (Palacio de la Isla, a las 20.15 horas).


Nacido en Angola en 1971, es licenciado en Derecho y Posgraduado en Literatura Portuguesa Moderna y Contemporánea. Ha publicado varios libros de poemas, como Libro de maldiciones , Pornografía erudita y Bruno , este último publicado en el sello extremeño Littera Libros, de Villanueva de la Serena, y la novela Nuestro reino .
La profesora del área de portugués de la Universidad de Extremadura, Mª Jesús Fernández García, intervendrá dentro del ciclo de conferencias DIALOGOS IBERICOS de Aula HOY el próximo lunes 31 de marzo en Cáceres (C⁄ Clavellinas) y el martes 1 de abril en Badajoz (Hotel Zurbarán).

Dirigida a un público amplio, la conferencia lleva por título "De Fernando Pessoa a José Saramago. La literatura portuguesa del siglo XX" y en ella se hará un recorrido por los principales autores y movimientos de la literatura del país vecino en el siglo pasado.

Ambas conferencias darán comienzo a las 20"15 horas.

segunda-feira, 24 de março de 2008

"Nascido em Portugal, de pais portugueses, / e pai de brasileiros no Brasil..."



EM CRETA COM O MINOTAURO

I

Nascido em Portugal, de pais portugueses,
e pai de brasileiros no Brasil,
serei talvez norte-americano quando lá estiver.
Coleccionarei nacionalidades como camisas se despem,
se usam e se deitam fora, com todo o respeto
necessário à roupa que se veste e que prestou serviço.
Eu sou eu mesmo a minha pátria. A pátria
de que escrevo é a língua em que por acaso de gerações
nasci. E a do que faço e de que vivo é esta
raiva que tenho de pouca humanidade neste mundo
quando não acredito em outro, e só outro quereria que
este mesmo fosse. Mas, se um dia me esquecer de tudo,
espero envelhecer
tomando café em Creta
com o Minotauro,
sob o olhar de deuses sem vergonha.


II

O Minotauro compreender-me-á.
Tem cornos, como os sábios e os inimigos da vida.
É metade boi e metade homem, como todos os homens.
Violava e devorava virgens, como todas as bestas.
Filho de Pasifaë, foi irmão de um verso de Racine,
que Valery, o cretino, achava um dos mais belos da «langue».
Irmão também de Ariadne, embrulharam-no num novelo de que se lixou.
Teseu, o herói, e, como todos os gregos heróicos, um filho da puta,
riu-lhe no foucinho respeitável.
O Minotauro compreender-me-á, tomará café comigo, enquanto
sol serenamente desce sobre o mar, e as sombras,
cheias de ninfas e de efebos desempregados,
se cerrarão dulcíssimas nas chávenas,
como o açúcar que mexeremos com o dedo sujo
de investigar as origens da vida.


III

É aí que eu quero reencontrar-me de ter deixado
a vida pelo mundo em pedaços repartida, como dizia
aquele pobre diabo que o Minotauro não leu, porque,
como toda a gente, não sabe português.
Também eu não sei grego, segundo as mais seguras informações.
Conversaremos em volapuque, já
que nenhum de nós o sabe. O Minotauro
não falava grego, não era grego, viveu antes da Grécia,
de toda esta merda douta que nos cobre há séculos,
cagada pelos nossos escravos, ou por nós quando somos
os escravos de outros. Ao café,
diremos um ao outro as nossas mágoas.


IV

Com pátrias nos compram e nos vendem, à falta
de pátrias que se vendam suficientemente caras para haver vergonha
de não pertenecer a elas. Nem eu, nem o Minotauro,
teremos nenhuma pátria. Apenas o café,
aromático e bem forte, não da Arábia ou do Brasil,
da Fedecam, ou de Angola, ou parte alguma. Mas café
contudo e que eu, com filial ternura,
verei escorrer-lhe do queixo de boi
até aos joelhos de homem que não sabe
de quem herdou, se do pai, se da mãe,
os cornos retorcidos que lhe ornam a
nobre fronte anterior a Atenas, e quem sabe,
à Palestina, e outros lugares turísticos
imensamente patrióticos.


V

Em Creta, com o Minotauro,
sem versos e sem vida,
sem pátrias e sem espírito,
sem nada, nem ninguém,
que não o dedo sujo,
hei-de tomar em paz o meu café.


Jorge de Sena, Peregrinatio ad loca infecta (1969)

quarta-feira, 19 de março de 2008

Atenção!!! O novo acordo ortográfico! O que vai mudar na grafia do português!


Não entrem em “stress” amigos e amantes do idioma luso! O “Novo Acordo Ortográfico” apenas afeta (reparem que já estou de acordo com o acordo, grande redundância!) a grafia da escrita e não interfere de modo nenhum nem nas diferenças orais, nem nas variações gramaticais ou lexicais.

Já podemos encontrar dicionários no mercado segundo esta nova norma, no entanto recomendo um documento sucinto mas eficaz redigido por João Malaca Casteleiro e Pedro Dinis Correia, editado pela “Texto”.

A partir de agora não vai haver tantas diferenças entre a variante europeia, brasileira e africana. Se é uma medida positiva, ainda não posso opinar, mas como diz Camões, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”…

domingo, 9 de março de 2008

Brasil 'cumple' dos siglos

Poco antes de las 12 del mediodía de ayer el presidente Luiz Inácio Lula da Silva llegó al Gabinete Real de Lectura, una magnífica edificación de casi dos siglos de vida en pleno centro de Río. Fue recibido por su colega portugués, Aníbal Cavaco Silva, bajo un sol inclemente. Una banda militar ejecutó los himnos nacionales de los dos países, hubo breves y protocolares discursos de Lula da Silva y del mandatario portugués, y en seguida empezó el almuerzo ofrecido por Cavaco Silva. Fue el cierre de la agenda de los dos presidentes, en el marco de las conmemoraciones de los 200 años de la llegada de la familia real portuguesa a Río de Janeiro el 8 de marzo de 1808, tras una estancia de 45 días en Salvador de Bahia.

Cavaco Silva llegó a Río el jueves y cumplió una agenda de actos relacionados con el bicentenario de la transformación de Brasil, entonces colonia portuguesa, en el único reino europeo instalado en los trópicos. Entre 1808 y 1822, el país fue sede de la corona portuguesa, sin dejar de ser colonia. El traslado de la Corte lusa a Brasil significó una serie de profundos cambios que terminaron por servir como cuna para la construcción del país.

Con Juan VI llegaron la imprenta y los libros, la botánica y la ciencia, el teatro y la arquitectura refinada, los conciertos de cámara y el primer museo. Feo, miedoso, depresivo, el monarca portugués creó la Casa de la Moneda, el Banco do Brasil, la Biblioteca (exactamente el Gabinete Real visitado ayer por Lula da Silva), el Jardín Botánico y toda la estructura administrativa del poder. Tan pronto llegó a Salvador, el 22 de enero de 1808, el rey declaró la apertura de los puertos brasileños a "todas las naciones amigas". Hasta entonces, Brasil no podía comerciar con ningún otro país, y exportaba únicamente para Portugal. La apertura de los puertos es considerada como una de las medidas más importantes para el inicio del progreso del país, el comienzo de un nuevo tiempo.

La llegada de la corte determinó una nueva transformación. De la noche al día, los 15.000 integrantes de la misma cambiaron usos y costumbres locales, y con ellos surgió una nueva cultura y fueron sentadas las bases de la economía que rápidamente transformaron la colonia en un país mucho más rico que la metrópoli.

Todo eso se recuerda ahora con una amplia agenda de exposiciones, seminarios, conmemoraciones y festividades populares por todo el país, pero principalmente en Rio, que por 152 años -entre 1808 y hasta la inauguración de Brasilia, en 1960- fue la capital brasileña. Cavaco Silva, quien fue primer ministro de Portugal (1985-1995), defiende ahora que se profundice la cooperación bilateral.


Artículo completo de Eric Nepomuceno en El País

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sábado, 8 de março de 2008

Jorge Mateus de Lima e a negra Fulô

Fotografia de Willy Miel


Jorge Mateus de Lima (União dos Palmares AL 1893 - Rio de Janeiro RJ 1953). Poeta, romancista, pintor e tradutor. Em 1902 muda-se com a mãe e os irmãos para Maceió, Alagoas. Transfere-se para Salvador, em 1909, e ingressa na Faculdade de Medicina. No terceiro ano do curso, vai morar no Rio de Janeiro, e se forma em 1914, ano em que publica seu primeiro livro, XIV Alexandrinos. Volta para Maceió em 1915 e até 1931 dedica-se igualmente à medicina, atendendo em consultório próprio, e à literatura - nesse período publica quase dez livros, sendo cinco de poesia - além de envolver-se com a política local, exercendo o cargo de deputado estadual de 1918 a 1922. A Revolução de 1930 dá início a um período de insegurança e perseguição política que o leva a radicar-se definitivamente no Rio de Janeiro, onde tem os primeiros contatos com escritores e artistas. Seu consultório médico torna-se também ateliê de pintura e ponto de encontro de intelectuais. Entre 1937 e 1945, sua candidatura à Academia Brasileira de Letras - ABL é recusada quatro vezes. Em 1939 inicia-se nas artes plásticas e participa de algumas exposições. Publica seu livro mais importante, o épico Invenção de Orfeu, em 1952. No ano seguinte, meses antes de morrer, grava poemas para o Arquivo da Palavra Falada da Biblioteca do Congresso de Washington, nos Estados Unidos. Sua obra, de inspiração e influência católicas, apresenta também contatos com o imaginário surrealista.


ESSA NEGRA FULÔ

Ora, se deu que chegou
(isso já faz muito tempo)
no bangué dum meu avô
uma negra bonitinha
chamada a negra Fulô.

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá)
– vai forrar a minha cama,
pentear os meus cabelos,
vem ajudar a tirar
a minha roupa, Fulô!

Essa negra Fulô!

Essa negrinha Fulô
ficou logo pra mucama,
pra vigiar a Sinhá
pra engomar pro Sinhô.

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá)
vem me ajudar, ó Fulô,
vem abanar o meu corpo
que eu estou suada, Fulô!
Vem coçar minha coceira,
vem me catar cafuné,
vem balançar a minha rede,
vem me contar uma história,
que eu estou com sono, Fulô!

Essa negra Fulô!

«Era um dia uma princesa
que vivia num castelo
que possuía um vestido
com os peixinhos do mar.
Entrou na perna dum pato
saiu na perna dum pinto
o Rei-Sinhô me mandou
que vos contasse mais cinco.»

Essa negra Fulô!

Essa negra Fulô!
Ó Fulô! Ó Fulô!
Vai botar para dormir
esses meninos, Fulô!
«Minha mãe me penteou
minha madrasta me enterrou
pelos figos da figueira
que o Sabiá beliscou.»

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô? Ó Fulô?
(Era a fala da Sinhá
chamando a negra Fulô.)
Cadê meu frasco de cheiro
que teu Sinhô me mandou?
– Ah! foi você que roubou!
– Ah! foi você que roubou!

O Sinhô foi ver a negra
levar couro do feitor.
A negra tirou a roupa.
O Sinhô disse: Fulô!
(A vista se escureceu
que nem a negra Fulô.)

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô? Ó Fulô?
Cadê meu lenço de rendas
cadê meu cinto, meu broche,
cadê meu terço de ouro
que teu Sinhô me mandou?
– Ah! foi você que roubou!
– Ah! foi você que roubou!

O Sinhô foi açoitar
sozinho essa negra Fulô.
A negra tirou a saia
e tirou o cabeção,
de dentro dele pulou
nuinha a negra Fulô.

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô? Ó Fulô?
Cadê, cadê teu Sinhô
que nosso Senhor me mandou?
Ah! foi você que roubou,
foi você, negra Fulô?

Essa negra Fulô!


(Biografia retirada de http://www.itaucultural.org.br/)

domingo, 2 de março de 2008

El paso 16 de la Raya es un azud en Zarza

Fafa. Es decir, María Fátima, saca unos vasos y nos sirve un oporto exquisito. «Es de mi familia. Mi abuela materna es la propietaria de las bodegas Ramos Pinto». Hemos llegado a Salvaterra do Extremo a la hora de comer, pero es imposible comer. En la churrasquería de Elías, la señora parece asustada. «No, no puedo encender la parrilla para prepararles un poco de pollo o de bacalao». Como insistimos: «Un pedazo de queso, algo de embutido», la señora se esconde en el lavabo.

Es extraño este pueblo. La mañana de niebla colabora en la extrañeza. En la plaza, media docena de personas aguardan algo. «Esperamos un cadáver», informan añadiendo inquietud a la escena. Resulta que hoy llegan de Lisboa los restos de Francisco Serra, benefactor de Salvaterra. «Tenía contactos en Lisboa y consiguió la carretera que lleva a la frontera. Se acabó hace ocho años», informa Fafa. Después se apiada del hambriento y nos invita a conocer su casa y a tomar un plato de sopa.

Estamos en Salvaterra do Extremo, un pueblecito portugués fronterizo que desde el año pasado está unido a España por un puente que oficialmente no existe y cruza el río Erjas para llegar al pueblo cacereño de Zarza la Mayor. Visitamos una de las zonas menos pobladas de la Península Ibérica. Comparemos: la comarca menos habitada de España está en Soria: 9 habitantes por kilómetro cuadrado, los mismos que tiene el municipio de Zarza la Mayor. Lo de Salvaterra es más espectacular: dos habitantes y medio por cada kilómetro cuadrado.

Para llegar a este pueblo neblinoso, misterioso y bello, donde la gente espera cadáveres en la plaza, hemos circulado por una carretera no indicada y hemos cruzado un puente que no existe. Es la Raya hispano-lusa, la frontera más pobre y fascinante de la vieja Unión Europea, un espacio que están descubriendo los medios de comunicación germánicos, los mismos que quedaron prendados de Canarias, Mallorca o Finisterre. Este mes de marzo, la radio televisión pública de Suiza dedica programas semanales de una hora ('Le dromedaire') a la Raya extremeña.


Leer el reportaje completo de J. R. Alfonso de la Torre en Hoy